Independência /43 anos: Presidente da ACOLP defende uma maior preservação da história e valorização dos combatentes da pátria

Cidade da Praia, 5 Jul (Inforpress) – O presidente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP) Carlos Reis, defendeu hoje a necessidade de trabalhar no sentido de se preservar melhor a história cabo-verdiana e os combatentes que lutaram pela libertação da independência nacional.

Há 43 anos Cabo Verde conhecia um novo amanhecer na sua história porque a luta pela libertação do país que, durante séculos, foi dominado pela colonização portuguesa tornou-se realidade. Com a proclamação da nova república de Cabo Verde, o povo saiu às ruas para comemorar a realização de um sonho e gritar “viva a independência e viva Amílcar Cabral”.

É assim que Carlos Reis, o presidente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP), se lembra desse dia que, conforme relata, “marcou a sua vida e veio confirmar que o caminho percorrido valeu a pena”.

Em declarações à Inforpress no âmbito do 43º aniversário da independência, o antigo combatente da pátria conta que, no momento em que Cabo Verde foi declarado como um estado independente, estava no estádio da Várzea, local da proclamação.

“Foi com sentimento de orgulho e alegria que presenciei o nascimento de uma nação pequena, mas que soube vencer os obstáculos da guerra e do colonialismo português, não obstante as dificuldades que se faziam e se fazem sentir”, declarou.

Passados 43 anos, o presidente da ACOLP acredita que os ganhos alcançados são positivos, realçando, todavia, que o aniversário de comemoração da independência nacional é sempre uma oportunidade para se lançar um olhar sobre a história e repensar os caminhos que garantam a edificação e consolidação da democracia cabo-verdiana.

No dia em que se comemora mais um aniversario da independência de Cabo Verde, o antigo combatente da pátria apela a uma maior valorização e preservação da memoria de Amílcar Cabral, isto para, conforme explicou, “se evitar a banalização da memoria do herói nacional que dedicou a sua vida a um Cabo Verde melhor.

“Devemos estar sempre de forma sistemática a pôr em cima da mesa do debate se estamos a cumprir os nossos deveres para com a memória de Amílcar Cabral e os heróis da luta nacional de forma constante e não permitir que isso dependa de um pequeno grupo”, lançou.

No seu entender, durante estes anos, Cabo Verde tem registado desenvolvimento e avanços em alguns sectores, mas tem revelado algumas fraquezas que devem ser corrigidas para promover e impulsionar o seu desenvolvimento.

Quatro décadas depois, Carlos Reis lamentou, por outro lado, o facto de a condição de vida dos combatentes da pátria impor ainda muitos desafios, afirmando que muitos daqueles que deram o seu contributo na luta pela independência continuam a enfrentar algumas dificuldades básicas.

“O tempo das afrontas em que os combatentes da pátria eram vistos como um fardo da nação já passou, e o importante é que temos encontrado a boa vontade politica para se ir resolvendo, mais é preciso sempre mais”, disse, ressalvando que ainda há uma grande exclusão dos grandes actores da verdadeira história de Cabo Verde na cultura e na literatura cabo-verdiana.

5 de Julho, na sua opinião, representa o dia mais importante da história de Cabo Verde, e mostra-se optimista em relação aos destinos do país que, no seu entender, tem de se afirmar nos próximos tempos como um país solidário e justo.

Carlos Reis não deixa de apelar a todos os actores da sociedade civil para que continuem a trabalhar em prol do desenvolvimento, do sucesso do país e da felicidade dos cabo-verdianos, que, a seu ver, devem e merecem comemorar esta vitória como um marco importante e histórico para o arquipélago.

A 5 de julho de 1975 foi proclamada a independência de Cabo Verde, território colonizado pelo império português a partir de meados do séc. XV.

“Povo de Cabo Verde, hoje, 5 de julho de 1975, em teu nome, a Assembleia Nacional de Cabo Verde, proclama solenemente a República de Cabo Verde como Nação Independente e Soberana”.

Foi com estas palavras que o então presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Abílio Duarte, proclamou a independência do país em relação à antiga potência colonizadora, Portugal.

O estádio municipal da Várzea, na Cidade da Praia, capital, foi o local escolhido para a cerimónia da transferência da soberania portuguesa para as novas autoridades do país.

CM/SIC

Inforpress/Fim.