Independência/43 anos : Caminho faz-se caminhando e acredito que ainda é possível corrigir os erros e aperfeiçoar a marcha – Pedro Pires

Cidade da Praia, 5 Jul (Inforpress) – O antigo Presidente cabo-verdiano afirmou hoje que 43 anos após a independência nacional, os resultados conseguidos não são “brilhantes” e que é preciso corrigir o que não está bem, visando a consolidação e edificação do Estado e da democracia cabo-verdiana.

Pedro Pires, que também responde pelo nome de comandante, foi o primeiro-ministro da primeira república de Cabo Verde e Chefe de Estado cabo-verdiano. No dia em que se comemora mais um aniversario da independência nacional, em declarações à Inforpress, afirmou que, 43 anos depois, Cabo Verde é um país diferente que tem servido de exemplo e de referência em vários aspectos, mas qua ainda se constrói.

“O país mudou em todos os pontos de vista. Considero que não devemos sentir-nos frustrados por aquilo que conseguimos porque o que se realizou deve ser motivo de orgulho, mas sobretudo de inspiração para fazer mais”, disse, sublinhando que o futuro de Cabo Verde será muito mais complicado se os cabo-verdianos não estiveram satisfeitos com a história e as conquistas.

Na sua opinião, 43 anos depois da independência, Cabo Verde cresceu o suficiente, mas ainda enfrenta muitos desafios que terá que solucionar com o tempo para garantir o seu desenvolvimento sustentável.

“Fazendo uma avaliação do estado da saúde de Cabo Verde, posso dizer que o país não está doente. Mas temos que ter os pés e cabeças em Cabo Verde e analisar neste momento aquilo que não está bem para corrigir porque o futuro dessa nação depende da forma que decidimos escrever a história”, frisou.

Entretanto, prossegue, a questão da segurança, o emprego, a educação e os factores de produção, nomeadamente o custo da energia elétrica, da água, dos transportes inter-ilhas  e da comunicação representam ainda uma preocupação permanente para o país, não obstante os ganhos conseguidos ao longo dos tempos.

Conforme conta, após a declaração da independência de Cabo Verde foi preciso haver um certo “pragmatismo e muita prudência” na governação, no sentido de eliminar as dúvidas sobre a viabilidade do país e transmitir confiança aos cabo-verdianos e parceiros de que realmente valeu a pena a luta pela libertação de Cabo Verde.

“Após a formação do primeiro governo, tenho reflectido sobre as medidas que foram tomadas para levar o país adiante e penso que conseguimos porque na altura era fundamental repartir os sacrifícios e fazer uma gestão honesta e transparente para que houvesse uma identificação entre a liderança e os cabo-verdianos”, enfatizou.

No que concerne à actual situação da política externa de Cabo Verde, o antigo presidente cabo-verdiano afirmou que o país deve fazer um esforço no sentido de aumentar a sua capacidade de autofinanciamento e libertar-se da dependência das ajudas internacionais.

“Temos de deixar de pensar que a cooperação irá resolver todos os nossos problemas, devemos ter uma perspectiva do futuro não nos ganhos imediatos, mas sim pensar no Cabo Verde daqui há uns anos”, ressalvou.

No seu entender, o sucesso de uma boa liderança depende da equipa que o governo constituir para comandar os destinos do país, isto porque, conforme disse, esse sucesso depende de estar informado, de conhecer a situação, as grandes dificuldades e os grandes desafios que o país enfrenta.

“A constituição de uma boa equipa é fundamental porque não sabemos quando perdemos e quando ganhamos”, sublinhou, realçando que gerir um país pequeno como Cabo Verde é complexo e que as pessoas têm de estar comprometidas com a missão de governar a bem do país e das pessoas.

No futuro, Pedro Pires gostaria de ver um Cabo Verde digno, orgulhoso de si e menos dependente porque, no seu entender, “se nós formos dependentes, não seremos iguais a nós mesmos e esse desejo de ser igual a si próprios obriga-nos a ser autónomos”.

Na sua opinião, todos os actores da sociedade civil devem trabalhar e unir-se para que, daqui a 43 anos,  Cabo Verde seja um país altamente desenvolvido, próspero e justo, aquele que, segundo disse, foi o sonho de todos que, seguindo as inspirações de Amílcar Cabral, pai da nacionalidade cabo-verdiana, abraçaram a luta pela independência nacional.

“Hoje, fazendo uma análise sobre a minha actuação enquanto primeiro-ministro da primeira república de Cabo Verde, não sei se agiria da mesma forma que agi, mas sei que o meu compromisso com meu país mantinha-se porque comprometi-me com Cabo Verde e tenho o sentimento de dever cumprido”, concluiu.

Pedro Pires foi primeiro-ministro de Cabo Verde entre 1975 e 1991, tendo governado sob a liderança do então presidente Aristides Pereira.

Foi Presidente da República de Cabo Verde de Março de 2001 a Setembro de 2011.

CM/SIC

Inforpres/Fim.