Inclusão de Cabo Verde na lista da FAO é uma medida de prevenção – director-geral

Cidade da Praia, 15 Jul (Inforpress) – O director-geral da FAO assegurou hoje que a inclusão de Cabo Verde na lista dos países que necessitam de assistência alimentar externa é uma medida de prevenção que é feita aos países assolados pela seca.

A garantia foi dada por José Graziano da Silva, hoje, na cidade da Praia, momentos depois de ter sido condecorado pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, com a Primeira Classe da Medalha de Mérito pelo contributo dado no aprofundamento da cooperação entre Cabo Verde e a FAO.

“O facto de colocarmos Cabo Verde na lista de países que poderiam precisar da ajuda alimentar é uma prevenção que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação faz usualmente quando há fenómenos desta magnitude excepcionais, mas também para prevenir a nossa comunidade internacional e doadores de que os recursos estão sendo alocado, mas que poderão ser necessários muito mais”, explicou.

Entretanto lembrou que a FAO costumava apoiar os países como Cabo Verde com uma quantia de 100 a 200 mil dólares por ano, actualmente com 500 mil dólares, mas em 2017 esse montante aumentou 16 vezes, ou seja passou para 8 milhões de dólares dada a emergência e magnitude da seca e do mau ano agrícola.

Segundo o director-geral, a previsão é que 150 a 200 mil pessoas cabo-verdianas seriam afectadas a nível da segurança alimentar, algo que felizmente não aconteceu.

José Graziano da Silva assegurou ainda que neste momento está-se a fazer uma avaliação para saber de facto quantas pessoas foram afectadas pela seca, mas acredita que nem 1/5 dessa população está sobre a ameaça, ou seja cerca de 30 mil pessoal que é a ordem de magnitude que a FAO trabalho na região do Sahel.

Avançou que com as alterações climáticas, as chuvas têm diminuído em quantidade por dias, se concentram em poucos dias e têm sido muito torrenciais.

“As previsões hoje em dia são totalmente incertas dada às alterações climáticas. A FAO tem trabalhado com a ideia de que é melhor prevenir do que remediar procurando investimentos e recursos”, disse, sublinhando que a ideia é que os países estejam preparados também para captarem as águas das chuvas para utilização da agricultura.

Em relação à sua participação na XII Conferência de Chefes de Estado e do Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa prevista para 17 e 18 deste mês, na ilha do Sal, José Graziano da Silva disse esperar que o evento ajude a incrementar e aumentar a participação sobretudo do sector privado e da sociedade civil nas políticas de segurança alimentar.

“Eu defendo que a declaração final recomende aos países da CPLP que implantem os seus conselhos de segurança alimentar e que aprovem uma legislação que garanta o direito humano alimentar como Cabo Verde já o fez”, sublinhou.

Segundo o relatório da FAO, Cabo Verde foi colocado entre os países com “quebra excepcional de produção de alimentos e significativa perda” de cabeças de gado devido ao fraco ano agrícola em 2017.

AV/ZS

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