Ilha do Sal: ICCA reserva o dia de hoje para reflexão sobre a situação das crianças migrantes

Espargos, 16 Jun (Inforpress) – O Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), na ilha do Sal, reservou o dia para reflexão sobre a situação das crianças migrantes, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Criança Africana, assinalado hoje.

Comemorado 15 dias depois do Dia Mundial da Criança, o Dia Internacional da Criança Africana chama a atenção para a realidade de milhares de crianças africanas que todos os dias são vítimas de violência, exploração e abuso.

Nesta perspectiva, a delegação do Instituto Nacional da Criança e Adolescente, no Sal, dedicou esse dia para reflexão sobre a situação das crianças migrantes, avaliar a sua recepção, acolhimento e conhecer o seu estilo de vida na ilha.

Queila Soares, delegada do ICCA local, assegurou em declarações à Inforpress que famílias migrantes são bem acolhidas na ilha e que protegem os seus filhos.

“Temos constatado que essas famílias, realmente, protegem os seus filhos. Não deparamos com situações de violação de direitos a nível de crianças migrantes. A única coisa que tememos é a circunstância em que entram no país, na ilha, em particular. Muitas delas em situação de fuga por causa de guerra e vivências de pobreza. Mas, informações que temos é que protegem os seus filhos, assegurando a educação, higienização e cuidados”, referiu.

Porém, Queila Soares manifestou preocupações quanto a rumores recentes no que tange à mutilação genital de crianças do sexo feminino, que nas férias escolares são levadas para o seu país, a fim de sofrerem essa amputação.

“Temos informações de que há crianças da Costa Ocidental de África que passam por essa situação porque as famílias conservam essa tradição cultural de mutilação genital. A Organização Mundial da Saúde está a trabalhar para eliminar esse tipo de tradição que viola o direito da criança, o direito à sua sexualidade”, disse.

Por isso, conforme a responsável da infância na ilha, a razão dessa reflexão no sentido de sensibilizar e chamar atenção das famílias migrantes a não cometerem tal “barbaridade”.

“A ideia é essa. Se realmente existe e acontece, mostrar a importância de cuidar das suas crianças sem ferir ou violar os seus direitos. Identificar se há realmente essa situação e tomar medidas. Vivem em Cabo Verde, mas não podemos permitir isso no nosso país”, censurou.

É em memória das crianças africanas mortas a 16 de Junho de 1976 e em prol das crianças africanas do presente e do futuro que se instituiu em 1991 o Dia Internacional da Criança Africana.

Todos os anos este dia merece a atenção da UNICEF e de outras organizações mundiais que organizam eventos variados tendo em vista a defesa dos direitos da criança em África e no mundo.

SC/FP

Inforpress/Fim