Ilha do Sal: Hospital público sem médico pediatra faz algum tempo desagrada populares

Espargos, 30 Mar (Inforpress) – O Hospital Regional do Sal está sem médico pediatra faz já alguns meses, facto que tem deixado as pessoas, particularmente, as mães, desapontadas com esta situação que apelidam de “triste” realidade.

Há algum tempo sem atendimento especializado de pediatria, já que a única médica pediatra, a Dra. Miriam, cubana, deixou a ilha do Sal para ir viver nos Estados Unidos da América, as crianças levadas aos cuidados no hospital público, são examinadas por clínicos gerais.

Até aqui acham tudo normal, mas algumas pessoas que não quiseram ter os nomes revelados na entrevista da Inforpress, entendem que a presença de um pediatra na ilha é uma “necessidade imprescindível”.

“Já não tenho filhos pequenos, mas é bem complicado pensar um hospital do nível do Sal, uma ilha turística, com esse crescimento populacional… sem um especialista pediátrico. Acho que neste país brincam demasiadamente com coisas sérias”, frisou uma paciente no local.

Considerando, que pediatria é uma especialidade que deve estar em qualquer ilha do país, já que arquipélago, Irene Silva, uma das utentes que não teve problemas em deixar seu nome, observa que sobretudo no Sal, estar sem um pediatra, tantas crianças sem esse acesso básico de especialidade “é um problema gravíssimo”.

E pergunta: “O que é que uma mãe faz ou deve fazer com um bebé ou criança que ainda está na idade de ser atendida por um pediatra… ir a outras ilhas, ser examinada por um clínico geral e depois sujeitar-se a uma medicação ou tratamento que não pode ser o mais indicado. Penso que é preciso repensar a situação. Cabo Verde está no patamar de País de Desenvolvimento Médio (PDM) e Sal é considerada a ilha mais turística do país”, sublinhou.

Seguindo pelo mesmo diapasão, Maria José Brito denota que elevar-se à categoria de PDM, traz consequências positivas e negativas, mas também responsabilidades, daí que o país tem de acompanhar essa evolução de alguma maneira.

Maria Da Luz Almeida cujo filho é epiléptico e vinha sendo acompanhado pela pediatra Miriam, manifesta-se também preocupada com a ausência de um pediatra na ilha.

“Os clínicos gerais fazem um trabalho excelente, fazem o que podem e o que não podem ainda mais numa ilha onde também sabemos que existem limitações de meios, mas uma criança é uma criança… Numa situação de emergência a criança pode até ser atendida por um clínico geral. Porém, um pediatra residente no Sal é indispensável cuja falta é inconcebível”, desabafou.

Para uns e outros a saúde pública é responsabilidade do Governo, do país, razão por que defendem que as populações devem ter acesso a uma saúde pública de qualidade e em condições de responder às necessidades.

“As crianças no Sal merecem o mesmo tratamento que as crianças de outras ilhas onde têm pediatras residentes para cuidarem da sua saúde”, rematam, apelando ainda a quem de direito, neste caso o Ministério da Saúde, que ao voltar a colocar um médico pediatra na ilha do Sal, independentemente da sua nacionalidade, tenha a preocupação de seu domínio da língua portuguesa ou o crioulo, porque nos dias da Dra. Miriam, “não se percebia metade das coisas que falava, dificultando a comunicação e compreensão entre ela e os pacientes”.

Entretanto, segundo informações que a Inforpress dispõe, ainda não há nenhuma data prevista para a colocação de um pediatra na ilha.

Enquanto isso, as pessoas terão que levar seus filhos para às clínicas privadas que por sua vez, mediante número de pacientes que se justifique, fazem deslocar um especialista da Praia ou São Vicente para consultas programadas na ilha do Sal.

SC/FP

Inforpress/Fim