Ilha do Sal: Cem moradias  “Casa para Todos” para mais de três mil pessoas interessadas

Espargos, 13 Out (Inforpress) – As cem moradias classe A do programa “Casas para Todos, na ilha do Sal, disponibilizadas pelo Governo para gestão camarária, vão criar embaraços à equipa camarária, já que o número de interessados ultrapassa os três mil.

Considerando o problema da habitação uma das primeiras prioridades e um dos “grandes” desafios para ilha, o presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, admitindo que o Governo já transferiu cem casas da classe A para a gestão camarária, tendo desta cifra, recebido apenas 45 chaves, disse que isso não vai resolver o problema habitacional na ilha, porque o número de pessoas interessadas ultrapassa os três mil.

“Por conseguinte, quem pensa que as casas para todos vão resolver o problema de habitação no Sal está muito bem enganado”, concretizou, por isso, explicou, a câmara está a infra-estruturar a zona norte de Chã de Matias, e a zona de Fátima, a dar por direito de superfície cerca de 600 lotes, só em Chã de Matias, além das zonas de Palmeira, Fonte Riba e zona da Fátima, a par do “projecto importante” de requalificação de Alto São João Alto Santa Cruz e Terra Boa.

Estimando a atribuição de mais de dois mil lotes para habitação, o autarca volta a insistir que essas cem casas “não têm impacto” na resolução do problema de habitação, um “grande desafio” que a ilha tem.

Júlio Lopes vai dizendo, entretanto, que essas casas que foram entregues à câmara vão ser disponibilizadas de acordo com o cadastro social já feito, para os “de facto” mais necessitados.

Explicou, por outro lado, que quanto às outras casas cognominadas agora empreendimentos da Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH), das classes B e C, estarão no mercado conforme as regras estabelecidas por esta imobiliária.

Para a ilha do Sal estavam previstas a construção de mil moradias das quais 450 de classe A, 359 de classe B e 200 da classe C.

Porém, depois de edificadas, nem todos os seleccionados receberam sua casa, que permitia realizarem o sonho de poder ter habitação própria, de acordo com as suas possibilidades, já que o programa contempla moradias de classe A, B e C.

O anterior Governo, chefiado por José Maria Neves, investiu perto de 200 milhões de euros, o que equivale a quase 20 milhões de contos, para a construção dessas habitações em todas as ilhas do país, e só o investimento feito no Sal, onde as casas encontram-se fechadas, e a degradar-se, mais de dois mil milhões de escudos, equivalente a cerca de 7% do Orçamento do Estado de 2014, no concernente às despesas.

SC/AA

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