Ilha do Sal: Autarquia estimula jovens a escrever com criação do Prémio Literário Jorge Barbosa

Espargos, 29 Jun (Inforpress) – A autarquia do Sal instituiu o Prémio Literário Jorge Barbosa com o intuito de estimular a criação literária nos jovens, o aparecimento de novos autores, compensar os consagrados e dignificar a memória do poeta, garantiu hoje à Inforpress o edil Júlio Lopes.

A comunicação a esse respeito foi feita, recentemente, no acto de homenagem que a Câmara Municipal do Sal fez a Arménio Vieira e Germano Almeida, os dois Prémios Camões, 2009 e 2018, respectivamente, aproveitando a sua presença na ilha, por ocasião da realização da II Edição do Festival Literatura-Mundo, que teve lugar, de 21 a 24 do corrente mês, na cidade de Santa Maria.

O edil Júlio Lopes, para quem os passos já estão a ser dados em vista ao cumprimento deste desiderato, explicou hoje, em declarações à Inforpress, que a ideia surgiu do desafio lançado pelo escritor Germano Almeida, numa das suas intervenções, durante o Festival Literatura-Mundo.

Sem declarar a dotação do galardão, já que há todo um processo ainda a seguir com vista ao seu regulamento, feito em parceria com a Livraria Pedro Cardoso e o Festival Literatura-Mundo Sal, entre outras entidades, o autarca sublinhou que o Prémio Municipal Literário Jorge Barbosa, pretende promover a literatura em língua portuguesa, através de trabalhos inéditos de jovens salenses e autores consagrados.

“Financeiramente vai ser um prémio forte, muito bom, para um autor consagrado e para um autor jovem revelação. Como Jorge Barbosa é o maior poeta cabo-verdiano e está ligado ao Sal, cujas principais obras foram escritas nesta ilha, achamos que este prémio deve ter o seu nome. Não vou avançar com a quantia, mas penso que em Cabo Verde não há prémios com esse valor”, frisou.

Personalidade incontornável das letras, um dos membros mais importantes do movimento Claridade, Jorge Vera-Cruz Barbosa nasceu na ilha de Santiago, Cabo Verde, em 1902, e faleceu na Cova da Piedade, em Portugal, em 1971.

Um dos mais significativos poetas na evolução da história da literatura cabo-verdiana, a sua obra “Arquipélago” (1935) figura como um marco da modernidade, cabo-verdiana, rompendo com a dependência dos modelos metropolitanos e antecipa em meses o aparecimento da revista Claridade da qual foi um dos fundadores.

A poesia de Jorge Barbosa, telúrica e social, traz à luz do dia os problemas do arquipélago e do cabo-verdiano anónimo/irmão: a seca, a fome, a morte por inanição, a emigração, o isolamento, a insalubridade, são temas evocados pelo poeta na sua “radiografia do drama social do homem cabo-verdiano”.

SC/FP

Inforpress/Fim