Ilha do Maio: Pescadores querem que gestão da máquina de gelo seja feita pela associação da classe

Porto Inglês, 11 Jan (Inforpress) – Os pescadores maienses congratulam-se com a instalação da máquina de produção de gelo na ilha, mas exigem que a gestão seja feita por uma comissão composta pelas duas associações da classe.

A falta de gelo no Maio está com dias contados, com a instalação, recentemente, na cidade do Porto Inglês, de uma unidade de produção, que poderá funcionar 24 horas por dia, em caso de necessidade, mas até então aguarda-se pela sua entrada em funcionamento e a forma de gestão, o que está a preocupar os pescadores e as duas associações da classe existentes na ilha.

Segundo o secretário da Associação dos pescadores Vindos do Sul, Anastácio Mendes, a instalação de uma máquina de produção de gelo na ilha era uma das reivindicações antigas da classe visto que os pescadores estavam a ter grandes dificuldades na conservação do pescado.

Todavia, alertou que é preciso “rigor e transparência” na gestão da unidade, por forma a evitar os erros do passado, no sentido que seja assegurada a sua continuidade.

Neste sentido, propõe que seja feita pela associação que representa, tendo em vista que ela integra a maioria dos pescadores da ilha.

Conforme avançou, a Associação Vindos do Sul está neste momento preparada para receber da edilidade e da Direcção-Geral das Pescas o contrato de gestão da infra-estrutura, porque considerou ser a melhor opção para o bem da classe e da ilha em geral.

“Com a produção de gelo na ilha, qualquer pescador pode tomar um crédito e pagá-lo sem nenhum problema, mas a gestão tem de ser feita pela Associação Vindos do Sul, que está mais preparada e que é composta pela maioria dos pescadores da ilha. Como sabemos, da outra vez, a gestão era feita pela associação dos pescadores da ilha, em que se concentrava numa única pessoa e no final deu no que deu”, alertou.

Por seu lado, César dos Reis, pescador e membro da Associação dos Pescadores e Peixeiras do Maio, disse que a agremiação que representa recebe de “bom agrado” esta medida, tendo em vista que estavam a comprar o gelo que era feito por particulares, mas que não dava garantia de trabalho, por isso disse esperar que a gestão da máquina venha ser feita pela organização que representa.

“Com a sua entrada em funcionamento não só vai ajudar os pescadores e peixeiras, mas também todos os comerciantes ambulantes e não só, que no dia-a-dia precisam do gelo para trabalharem”, notou.

César dos Reis lembrou ainda que a associação passou por momentos de inoperacionalidade, mas garantiu que, agora está recomposta e mais bem organizada para levar avante e contribuir para a resolução dos problemas dos pescadores.

Neste particular, avançou que pretendem fazer a gestão da referida unidade, por forma a servir a todos os pescadores e peixeiras, bem como as pessoas singulares que precisam deste material para conserva e refrigeração dos seus produtos.

Porém, esta medida não caiu no agrado dos pescadores da vila de Calheta e da localidade de Morrinho que alegam estavam à espera que uma outra unidade anunciada pelo governo fosse instalada naquela vila piscatória, porque com isso dizem ter que arcar com mais despesas no transporte desta matéria-prima.

No entanto pedem aos poderes local e central, que, pelo menos, reparassem a unidade existente na vila de Calheta para que não fiquem em desvantagem em relação aos colegas.

O ministro da Economia, José Gonçalves, afirmara, recentemente, que a ilha do Maio iria ser contemplada com duas unidades de produção de gelo, a serem adquiridas no âmbito de um projecto financiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela União Europeia (UE), para dar vazão a uma reivindicação antiga dos pescadores maienses. Até o momento apenas uma unidade foi instalada.

WN

Inforpress/Fim