Ilha do Maio: Carvoeiros querem ver aprovada e implementada a lei da gestão florestal da ilha

Porto Inglês, 21 Mar (Inforpress) – Os carvoeiros da ilha do Maio manifestaram hoje o seu desejo de ver aprovada e implementada a lei da gestão e manutenção florestal da ilha, a maior do país com mais de 3500 hectares.

Em conversa com a Inforpress, por ocasião do Dia Mundial da Árvore e da Floresta, que se celebra hoje, Jorge Garcia assegurou que, com a não aprovação desta lei, os carvoeiros na ilha estão a “sofrer” devido as taxas aplicadas pelo Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA).

Segundo este carvoeiro, é preciso fazer a gestão e manutenção do perímetro florestal da ilha por forma a que as pessoas possam ter a possibilidade de transitar dentro da mesma.

“Se fosse feita a manutenção e a poda, neste momento poderíamos ter menos problemas, mais pasto, e todos nós estaríamos a ganhar, tanto os carvoeiros como os criadores e agricultores”, indicou.

“Neste momento, estamos a ser cobrados 20 escudos para cada saco de carvão a ser embarcado, mesmo após termos pago uma licença de 250 escudos para cada árvore. Além disso, temos que pagar, também, ao dono da propriedade, bem como o aluguel do carro, dois mil escudos”, frisou.

Além do aumento verificado, segundo Jorge Garcia, para cada árvore a que lhe for atribuída a licença para poda ou corte, o carvoeiro tem direito de embarcar apenas cinco sacos.

“Não entendemos a razão desta medida, quando se sabe que pagamos semestralmente cerca de quatro mil escudos nas Finanças para podermos ter o alvará de licença de produção”, notou.

Jorge Garcia informou que já manifestaram ao presidente de câmara, Miguel Rosa, as preocupações num encontro realizado terça-feira e que estão decididos a partir para “outra forma de manifestação” caso a situação prevalecer.

Entretanto, a delegada do MAA, Teresa Tavares, que foi confrontada com a situação, aquando da visita do ministro das Finanças à ilha do Maio, na semana passada, explicou que a aplicação da taxa de 20 escudos para o embarque de cada saco de carvão, deve-se ao facto de a Delegação atribuir aos carvoeiros a isenção de fazerem a poda e o corte das árvores no leito da ribeiras, por forma a valorizar estes espaços.

“Para cobrirmos esta compensação colocamos esta pequena taxa de 20 escudos, porque temos os nossos custos com a deslocação e entre outros” precisou.

De todo modo, a delegada do MAA avançou que a reivindicação dos carvoeiros vai ser analisada, tendo em conta a situação da seca e do mau agrícola que se vive no país.

As partes têm agendada uma reunião na segunda-feira, 26, para debater o assunto.

WN

Inforpress/Fim