Ilha do Fogo: Turismo é uma actividade estratégica para Cabo Verde e deve sê-lo para região Fogo e Brava – edil de São Filipe

São Filipe, 18 Mai (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Jorge Nogueira, defendeu hoje, na cidade de São Filipe, que o turismo é uma actividade estratégica para Cabo Verde e deve sê-lo para a região Fogo e Brava.

O autarca falava na abertura do fórum “Competitividade e a sustentabilidade turísticas na região Fogo e Brava”, promovido pela Universidade de Santiago (US), no quadro do programa “Rotas do Arquipélago”.

Sendo o turismo uma actividade estratégica, Jorge Nogueira considera que será de vital importância para o desenvolvimento socio-económico traçado para a ilha do Fogo, implementando um modelo apoiado na sustentabilidade.

“O turismo desole mar não é a vocação primeira e nem melhor produto, sendo uma oferta complementar”, advogou, sublinhando que para as ilhas do Fogo e Brava, o turismo, pela sua diversificação, tem de ser dinâmico e inovador, baseado na gastronomia, no património histórico e arquitectónico, nos recursos naturais, como o vulcão e as escoadas lávicas, mas também no turismo de natureza e residencial.

Para o edil, independentemente do produto turístico, a imagem da marca “Fogo” deve ser privilegiada para ter um turismo gerador de riqueza, multiplicação de turistas que visitam a ilha, investimento na construção de boas e modernas infra-estruturas turísticas, recuperação dos sobrados e residências, produção de mais bens e aumento de emprego.

Neste momento, um plano de desenvolvimento turístico da ilha está em fase de elaboração e Jorge Nogueira espera poder contar com a parceria da Universidade de Santiago nesta matéria.

Segundo o autarca, o sector do turismo exige grandes investimentos, tendo por isso destacado o papel primordial do empresariado, elemento principal no processo de desenvolvimento do turismo e da economia, incentivando os empresários a investir neste sector.

Para Jorge Nogueira, há dois elementos que ainda obstaculizam o desenvolvimento do turismo nas duas ilhas, os transportes e a água, anotando que “é urgente” a iluminação da pista do aeródromo de São Filipe, solução já foi assumida pelo Governo e que poderá ser uma realidade num futuro não distante.

Quanto a água, o edil sanfilipense considera que a disponibilidade existente é insuficiente para o consumo humano e para agricultura, mas contrariamente a outras regiões do país, segundo ele, a capacidade de produção proveniente do subsolo só é explorada ainda a 20 por cento (%) da sua capacidade, pelo que defende “investimentos urgentes e imediatos” no sector da água.

Já o reitor da US, Gabriel Fernandes, destacou a interconectividade entre os temas dos três fóruns promovidos durante o programa “Rotas do Arquipélago”, educação, saúde e turismo, indicando que o turismo sustentável não coaduna com uma sociedade ignorante nem com uma sociedade doente e insustentável.

Segundo este responsável, para ter outra forma de pensar a sustentabilidade futuro do turismo é necessário que uma sociedade esclarecida e que seja capaz de projectar o futuro e definir fontes alternativas e pensar no pós-turismo.

Gabriel Fernandes sustentou que Cabo Verde não deve ficar atrelado somente no sector de turismo mas delinear fontes alterativas para não ser surpreendido pela velocidade das coisas.

O vice-presidente da Câmara do Turismo, Eugénio Inocêncio, centralizou a sua intervenção na necessidade das pessoas se associarem como forma de ultrapassar as dificuldades, tendo parabenizado a US pela realização dessas actividades que considerou ser uma forma de combater a atomização das pessoas.

JR/CP

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