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Ilha do Fogo: Psiquiatria e ortopedia são especialidades com maior índice de transferência de doentes

São Filipe, 14 Jan (Inforpress) – As especialidades de psiquiatria e ortopedia são as onde se registaram maior índice de transferência de doentes do hospital regional São Francisco de Assis para outras unidades hospitalares, revelou o director do hospital São Francisco de Assis.

Apesar de ainda não dispor de dados objectivos, Evandro Monteiro indica que a tendência inicial era para uma diminuição mas subjectivamente os dados apontam para um ligeiro aumento.

Em relação à especialidade de psiquiatria a transferência deve-se ao facto de não estar na ilha a psiquiatra, que deve chegar ainda no decurso de Janeiro, e toda a questão da saúde mental, assegurou, foi analisada em articulação com os clínicos e serviços do hospital da Trindade, e seguido pela psicóloga clínica do hospital, indicando que com a chegada da psiquiatra vai-se inverter a tendência.

A outra especialidade com registo de transferência é a de ortopedia, segundo o director do hospital, para quem é necessário encontrar onde e como reduzir as transferências de doentes, sobretudo as programadas, excepto as situações de urgência.

Questionado sobre as críticas recentes com a demora na transferência de doentes, Evandro Monteiro afirmou que há situações em que as pessoas fazem “interpretações erróneas” sobre esta matéria.

Este frisou que o hospital faz as transferências necessárias, deixando claro que há situações clínicas que impedem que o doente seja transferido embora exista pressão familiar, mas, adverte que é necessário lembrar que se está a falar de vida humana, ser biológico e há critério, inclusive internacionais que devem ser observados.

“É preciso ver estabilidade e parâmetros para transferir e quando decidimos a transferência já não depende de nós para levar o doente porque não temos meios de transportes”, disse.

Com relação a doentes com patologias de foro mental, o director do hospital indica que internamento tem um espaço na medicina, mas que é necessário organizar, observando que há um espaço que poderia ser utilizado exclusivamente para os doentes que necessitam de tratamento mental, mas porque a saúde mental é complexa, necessita obrigatoriamente de comparticipação e co-responsabilidade das famílias em primeiro lugar e da sociedade civil.

“Fizemos o seguimento hospitalar, ambulatorial e domiciliar, mas tudo isso não terá impacto necessário se a população/comunidade, a família não estiver integrado neste processo. É um trabalho contínuo e às vezes há pouco resultado”, disse Evandro Monteiro.

Segundo o mesmo, criou-se um grupo de alcoólicos anónimos constituído por pessoas que querem deixar o álcool e não conseguem sozinho, e o hospital, a região sanitária e a delegacia de saúde realizam sessões de psicoterapia e auxílios com psiquiatra no sentido de reduzir essa tendência de ter cada vez mais pessoas dependentes do uso abusivo do álcool.

“É um processo e todos devem estar empenhados em tentar inverter toda a problemática adveniente desse uso”, afirmou a fonte, indicando que quando se fala de consequência não se deve focalizar somente nos transtornos comportamentais de foro psicológico e psiquiátrico, mas também de alterações e lesões orgânicas ligadas ao uso do álcool.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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