Ilha do Fogo: População da zona norte dos Mosteiros descontente com atrasos na desobstrução promete intervir com as próprias mãos

São Filipe, 05 Jul (Inforpress) – A população da zona norte dos Mosteiros está descontente com atrasos na desobstrução da estrada de Sumbango, interditada há três semanas e promete intervir para desobstruir a via se até o dia 20 a máquina não começar os trabalhos.

Várias dezenas de populares das zonas de Atalaia, Ribeira do Ilhéu, Aldeia e Rocha Fora, as mais afectadas com a interdição da via na sequência do movimento de massa complexo (desabamento de rocha) ocorrido a 15 de Junho concentraram-se na tarde de quinta-feira, 05 de Julho, na zona obstruída, para manifestar o descontentamento e exigir uma rápida intervenção para repor a normalidade.

Um dos moradores e promotores da organização da manifestação, André Silva, disse na altura da manifestação que as localidades da zona norte dos Mosteiros estão completamente abandonadas que as instituições como a polícia e o hospital não chegam à localidade e que passados três semanas não há nenhuma intervenção e que todos os dias a população é “enganada” com a promessa da vinda do técnico da máquina, mas este sem dia de chegar.

A população, segundo o mesmo, “está farta de promessas falsas” e quer a estrada recuperada, anotando que “se até o dia 20 de Julho a máquina não chegar ao local para resolver o problema, vão regressar munidos de enxadas, pás e outros equipamentos para reabilitar a estrada. “Porque quem está com necessidade dessa estrada são as pessoas da zona norte e não os políticos que estão em suas casas com ar condicionado e à custa dos nossos impostos”, sustentou.

Para os moradores da zona norte, o objectivo dessa manifestação era mostrar o “descontentamento e sofrimento” das pessoas, porque o percurso pedestre, com acentuado grau de inclinação e dificuldades, é utilizado por pessoas idosas, grávidas, doentes e crianças.

A situação é complexa e a questão da segurança deve ser salvaguardada, reconhecem os populares, mas acham que três semanas é tempo demais para não se iniciar os trabalhos, questionado se em todo Cabo Verde não há uma máquina em condições para resolver o problema.

André Silva denunciou que a adesão à manifestação só não foi maior porque colocaram pessoas no terreno para desmobilizar as pessoas, mas advertiu que da próxima o grupo será maior e com capacidade para remover todo o material em apenas um dia.

Humberto, outro morador da zona norte, disse que as populações de Atalaia, Ribeira do Ilhéu, Aldeia e Rocha Fora estão “preocupadas” com a situação, indicando que a edilidade não tem como agir porque a intervenção não está ao seu alcance, mas sim do Governo.

Este lembrou que tinha avisado ao primeiro-ministro e à ministra das Infra-estruturas, aquando da visita a Chã das Caldeiras, e que houve a promessa de uma intervenção rápida, mas “a situação permanece”.

No seu entender, a máquina que está a fazer trabalhos nos outros sítios, deve suspender os trabalhos e ser deslocada para os Mosteiros para apoiar na desobstrução desta via, que está mais complicada e que tem deixado a zona norte “enlutada”.

Durante a manifestação pacífica, que foi seguida por uma dezena de agentes da Polícia Nacional, os participantes gritaram palavras de ordem como “queremos estradas”, “onde está a solução”, “zona norte está abandonada” e de entre outras.

JR/ZS

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