Ilha do Fogo: O esquecimento da ilha “é propositado” porque convém aos partidos no período eleitoral – líder UCID

São Filipe, 14 Abr (Inforpress) – O esquecimento da ilha do Fogo é feito de forma propositada, porque convém aos partidos políticos ter uma franja da população num nível de pobreza extrema, para, na altura das campanhas eleitorais, ter um mercado eleitoral fácil de se conquistar

A afirmação é do presidente da União Cabo-verdiana Independente Democrática (UCID), António Monteiro, que sexta-feira terminou uma visita de quatro dias à ilha, para se inteirar da situação social e económica da região e dos impactos do plano de mitigação do mau ano agrícola.

Para o líder da UCID, passados cerca de 43 anos da Independência nacional e ter uma ilha com um potencial extraordinário no domínio agrícola e com cerca de 45 por cento (%) da população a viver na pobreza absoluta “é de propósito”.

Para o dirigente partidário, “Fogo tem solução”, precisando apenas de uma outra visão. António Monteiro sublinhou que é necessário que os governantes saibam disso e façam as apostas necessárias.

De acordo com a UCID, a ilha precisa de uma atenção especial por parte do Governo, que deve pensar na criação de condições para o seu desenvolvimento.

O presidente da UCID, depois de visitar várias localidades e de estabelecer contactos com várias instituições e individualidades, deixou algumas pistas para a actuação futura do Governo, que passará pelo melhoramento do aeródromo de São Filipe, nomeadamente a sua extensão em mais 800 metros, para que possa receber voos charter.

No entender de António Monteiro, isto não passa, necessariamente, por ter um aeroporto internacional. O essencial, destacou, é a resolução dos problemas das ligações marítimas do Fogo com as demais ilhas, para facilitar o escoamento da produção excedentária.

Ainda em termos de transportes, António Monteiro indica que o Governo deverá realizar um “estudo profundo”, numa primeira fase, e se chegar à conclusão de que as infra-estruturas aeroportuárias são fundamentais para o desenvolvimento económico da ilha, procurar, então, num segundo momento, mobilizar os recursos para a efectivação dessas propostas.

Com relação ao problema de água, o responsável da UCID acredita que se resolve, ” porque a ilha é cercada de água”, o mesmo passando com o problema energético, numa ilha “em que o índice solar é enorme” e a energia geotérmica existe em Chã das Caldeiras.

Monteiro indicou que é preciso preparar quadros, procurar países que têm “know-how” em matéria de energia geotérmica, que é barata, para apoiar o processo de desenvolvimento do Fogo.

“Se houvesse uma vontade para ajudar a ilha do Fogo, a sua gente e a Cabo Verde a partir do Fogo, ter-se-ia feito propostas concretas de modo a facilitar a vida e a desenvolver a economia”, vincou António Monteiro, para quem é necessário fazer a economia crescer, pois, caso contrario, a ilha do Fogo irá “continuar com essa dificuldade”.

Segundo o líder da UCID, é fundamental que se faça uma “aposta inteligente” e que a própria população comece a entender que a ilha tem um potencial extraordinário e que deve ser utilizado a bem do Fogo e de Cabo Verde.

O presidente da UCID termina a sua visita preocupado com o nível de desemprego, que, segundo disse, “é enorme”, agravado por uma imensa falta de esperança dos jovens, que são uma força que poderá ajudar e muito na transformação da economia do Fogo, em conseguir o emprego.

Este explica que essa falta de esperança está a fazer com que as pessoas não “acreditem no futuro e estejam a viver o presente, não da melhor forma, procurando esquecer as agruras da vida, o que, para o líder da UCID, acabam por trazer outros problemas pessoais, familiares e até para a própria sociedade, já que em relação ao trabalho, que dignifica o homem, os jovens estão completamente sem esperanças”.

JR/JMV

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