Ilha do Fogo: Ligações domiciliárias contemplam habitações localizadas até 100 metros da rede de distribuição – Águabrava

 

São Filipe, 12 Jan (Inforpress) – O administrador/delegado da Águabrava, José Rodrigues, disse à Inforpress que não existe nenhum problema técnico na rede e que as ligações domiciliárias contemplam as habitações situadas num raio de até 100 metros de distância da rede de distribuição.

Na sequência de reclamação de munícipes dos Mosteiros, exigindo a ligação domiciliária de água, o administrador/delegado afirma que a empresa está a satisfazer os pedidos e que “lá onde for possível” a equipa técnica da Águabrava está a proceder diariamente as ligações, acrescentando que devido a distância, em alguns lugares, não existem condições para as ligações.

Com a conclusão do projecto de abastecimento de água às zonas norte (Atalaia, Ribeira Ilhéu, Barreira, Rocha Fora) e Sul (Corvo, Achada Grande e Relva) há muitos pedidos de ligações domiciliárias e até este momento a empresa já resolveu mais de uma centena de pedidos e todos os dias faz em média cinco ligações domiciliárias nos Mosteiros.

O problema, explica José Rodrigues, é que na Atalaia, devido a dispersão das habitações, algumas situadas a mais de um quilómetro da rede de distribuição, a empresa não pode satisfazer o pedido e neste caso seria necessário que as pessoas organizassem e comparticipassem nos custos.

Para a ligação domiciliária, as famílias efectuam um contrato, no valor de 12.500 escudos e consoante a distância da habitação à rede, compram os materiais necessários e efectuam as escavações para que técnicos da empresa possam fazer a ligação, desde que a distância não ultrapasse os 100 metros.

A situação da zona norte é mais complicada, devido a dispersão das casas, o que não acontece com a zona sul, onde as habitações estão mais concentradas, refere o administrador/delegado da Águabrava, indicando que para a zona norte existem cinco chafarizes que foram ligados à rede, em Atalaia (02), Ribeira Ilhéu, Barreira e Rocha Fora. Enquanto as pessoas não disporem de recursos para a ligação continuarão a abastecer-se através dos chafarizes.

Segundo o responsável, muitas pessoas pensam que Águabrava ia fazer ligações domiciliarias gratuitas, como o fez no passado, mas esclarece que antes havia um projecto financiado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e com comparticipação da Câmara e da própria empresa.

Actualmente, explicou, o número de ligações esgotou-se e a empresa está em negociação com a Igreja, mas só em meados de Junho será possível encaminhar o projecto para aprovação e posterior financiamento.

Quanto ao problema de abastecimento de água à zona sul do município de São Filipe, José Rodrigues explicou que como o sistema de fornecimento de água aos agricultores do Ministério da Agricultura está avariado e porque muitos agricultores continuam ligados à rede de Águabrava, que dispõe de três furos para fornecer água a zona sul e centro de São Filipe, Santa Catarina e parte alta da cidade de São Filipe, decidiu-se racionalizar o fornecimento priorizando o consumo humano.

O caudal dos três furos, explica, é insuficiente para abastecer todas as zonas mencionadas 24 horas e para agricultura.

A situação será normalizada já que a empresa encomendou uma bomba que deve chegar à ilha ainda esta semana, para apoiar o Ministério da Agricultura a resolver o problema na estação de Sebastião Dias, de modo poder disponibilizar água para os agricultores.

José Rodrigues afirmou que o preço praticado pelo Ministério da Agricultura e Ambiente, no valor de 55 escudos por metro cúbico, não permite repor os equipamentos quando regista avaria e nem aquisição dos componentes dos quadros quando há sobrecargas de energia.

Questionado se a empresa Águabrava já assumiu a gestão de água para agricultura, no quadro do protocolo celebrado em meados de Junho do ano passado com a Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANAS), José Rodrigues, disse que aguarda a disponibilização de recursos para que tal aconteça.

Segundo o mesmo, no quadro do protocolo, a empresa procedeu ao levantamento das necessidades para melhoria da rede do Ministério, que foram encaminhadas conjuntamente com o orçamento para o Ministério e que aguarda, há vários meses , o feedback.

Para o redimensionamento dos reservatórios de Sebastião Dias e de Patim e de construção de mais dois reservatórios de 300 metros cúbicos nos dois sítios, para permitir a elevação de mais 300 metros cúbicos de água/dia, mais uma linha de elevação a partir de Sebastião Dias até Patim, será necessário um investimento adicional de mais 35 mil contos, constante de uma das propostas enviadas ao Ministério.

A outra proposta que prevê a disponibilidade de 1200 metros cúbicos de água/dia para agricultores e criadores de gado, o investimento adicional seria de mais 68 mil contos, disse José Rodrigues, indicando que as duas propostas estão no Ministério da Agricultura.

Quanto à água para a pecuária, o responsável indicou que a empresa tem estado a fazer as ligações solicitadas, mas a 110 escudos por metro cúbico, acrescentando que a empresa não pode subvencionar a água para os criadores, já que este é papel do Estado e não da empresa.

JR/JMV

Inforpress/Fim