Ilha do Fogo: Iluminação do aeródromo é uma decisão política e o Governo deve pronunciar sobre ela – edil

 

São Filipe, 14 Jan (Inforpress) – A iluminação do aeródromo de São Filipe é uma questão política e o Governo deve decidir sobre a sua implementação ou não, considera o edil de São Filipe num encontro entre operadores económicos e o ministro Alexandre Monteiro.

Para o presidente da Câmara Municipal de São Filipe, no ano passado foi anunciado a realização do estudo de viabilidade para a iluminação dessa infra-estrutura aeroportuária, que ainda não começou, adiantando que “há um pessimismo” da empresa de Aeroportos e Segurança Aérea (ASA) cujo entendimento é de que se deve esgotar a capacidade diurna do aeródromo e se a demanda exigir poderá avançar com a iluminação para voos nocturnos.

“Não há transportes para fazer voo diurnos para o Fogo”, disse Nogueira, para quem “ou o Governo toma a decisão política de realizar o estudo de viabilidade e avança com a iluminação, ou toma a decisão política para ter companhias com mais aviões para realizar voos para a ilha”.

Para o edil, o receio da ASA é o estudo de viabilidade aponta para a iluminação dessa infra-estrutura e ter que arcar com novas despesas de funcionamento, adiantando que o município de São Filipe e a ilha no seu todo estão convictos de que com a iluminação do aeródromo haverá um “boom” no desenvolvimento turístico, já que há operadores prontos a investir neste sector.

“É determinante para o desenvolvimento da ilha que se resolva não só o problema de transporte aéreo mas também marítimo e se isso não acontecer não vale a pena estar falar do desenvolvimento do turismo, do comércio, da indústria na ilha do Fogo, apesar das suas potencialidades”, afirma o edil de São Filipe.

Segundo o mesmo, a vontade de investir é grande, mas há algumas descrenças na resolução dos problemas de transporte (aéreo e marítimo) de e para a ilha, assim como a redução de tarifas de factores de produção.

Quanto ao transporte marítimo, Jorge Nogueira sublinhou que a o navio fast-ferry aumentou a sua tarifa em menos de quatro anos, em mais de 300 por cento (%) e como exemplo indicou que antes o transporte de uma viatura “Dina” pagava 18 mil escudos no percurso Fogo/Praia, e que hoje paga 54 mil escudos, e que um contentor custa menos entre Lisboa e Praia do que entre Praia e Fogo, situações que “urge resolver” porque “encarece os produtos” e “não permite a competitividade”.

Além do problema de transporte referenciado pelo edil e que foi reforçado por outros intervenientes no encontro com o titular da pasta do Comércio, Industria e Energia, os operadores económicos indicaram outros constrangimentos como custo elevado de factores de produção (água e energia), tarifa exorbitante do fast-ferry, que “cria stress” aos comerciantes, falta de coordenação entre voos e a ligação marítima, diferenciação dos operadores das ilhas de periferia, a fiscalização, de entre outros.

O ministro Alexandre Monteiro, que efectua a sua primeira visita à ilha depois de assumir a pasta de Comércio, Industria e Energia, disse que não obstante a missão ser para presidir a inauguração de electrificação de alguns povoados de São Filipe, fez questão de se encontrar com operadores para um primeiro diagnóstico da situação.

No final do encontro e em declaração exclusiva a Inforpress disse que a ideia que leva é de que o Fogo é uma ilha que tem “potenciais enormes” e que existe aquilo que é um “desafio de desenvolvimento” de Cabo Verde e da  própria ilha, que é a valorização e aproveitamento dos seus recursos endógenos, como ficou confirmado no encontro com os operadores.

Este disse que ficou assente que há constrangimentos como transporte, custo de energia e água, mas que há vontade e sinais de investimentos capazes de alavancar e ajudar a ilha no seu próprio desenvolvimento.

Alexandre Monteiro disse que neste encontro para interacção e diálogo, “porque governar é também dialogar” com os operadores, registou todas as preocupações e sugestões avançadas que serão partilhadas e trabalhadas a nível do Governo.

Para algumas questões, Monteiro indicou as medidas em curso para o efeito, caso da energia eléctrica que com a mudança do gasóleo para fuel 180 na central única da ilha os custos de produção vão diminuir, mas adiantou que resolvendo a problemática dos transportes vários outros constrangimentos vão também ser solucionados.

JR/AA

Inforpress/Fim