Ilha do Fogo: Dezenas de agricultores da zona sul da ilha manifestaram-se junto da delegação do MAA exigindo resolução do problema da água

 

São Filipe, 23 Jan (Inforpress) – Dezenas de agricultores da zona sul da ilha do Fogo, entre Brandão e Fonte Aleixo, manifestaram-se hoje junto da delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) e pelas ruas da cidade, exigindo a resolução do problema de água.

Segundo o porta-voz dos agricultores, João António Fernandes, há mais de dois meses que os agricultores da zona sul, das localidades entre Brandão (São Filipe) e Fonte Aleixo (Santa Catarina), vêm enfrentando problema no abastecimento de água para agricultura.

Destacando os “elevados prejuízos” que isto acarreta, adiantou, exemplificando, que nos últimos três meses recebeu três facturas sendo duas com zero toneladas e uma com 47, o que, explicou, não permite a realização da actividade.

Em Abril do ano passado, um grupo muito reduzido de agricultores, cerca de 15 a 17, tinha realizado uma manifestação, mas na altura, segundo o porta-voz, o delegado do MAA teria afirmado que era “um grupinho de agricultores com dívidas”.

Agora, sublinhou o agricultor, na manifestação de hoje, cerca de 80 por cento (%) dos 122 agricultores da zona sul marcaram presença no protesto, solicitando a disponibilidade de mais água.

“O nosso objectivo é só água nos campos, porque a agricultura é um sector muito importante para o desenvolvimento de Cabo Verde, e não queremos uma agricultura de subsistência, mas sim de produção e de mercado para nos garantir a vida das nossas famílias e da comunidade”, disse o porta-voz.

João António Fernandes disse que nas parcelas dos agricultores existe um contador de água, mas que não há um contador para contabilizar as perdas nas parcelas por falta de água, acrescentando que se houvesse, certamente, o MAA teria de devolver muito dinheiro a todos os agricultores pelos prejuízos causados.

“É preciso que governo veja, de forma clara, que há este problema de água, que assuma a responsabilidade, para que haja trabalho no campo”, disse o porta-voz, indicando que é necessário que haja mobilização de mais água.

No entender deste agricultor, é política do Governo mobilizar água para dar aos agricultores para fazer o seu trabalho e contribuir, de forma directa ou indirecta, para que haja desenvolvimento.

O porta-voz deixou claro de que o objectivo é ter água nas parcelas para desenvolver o trabalho, afirmando esperar que não haja desculpas com as dívidas dos agricultores, porque, conforme explicou, desde mês de Junho do ano passado que os agricultores não receberam facturas por falta no fornecimento de água e os campos que, segundo disse, transformaram-se em “autênticos desertos”.

Como a contabilização dos prejuízos é feita por técnicos do MAA, que, para o porta-voz, “tem a faca e o queijo na mão”, os agricultores não têm solicitado a avaliação dos prejuízos, mas é visível que alguns tiveram perdas exorbitantes, observando que mesmo assim não equacionam a possibilidade de recorrer aos tribunais para solicitar indemnizações pelas perdas.

“Queremos que o ministro da Agricultura volte para o Fogo, porque os agricultores estão abandonados, mas também para ver onde se pode fazer melhorias”, disse João António Fernandes.

Adiantou que se for necessário mais furos, equipar os existentes, construção de mais reservatórios, o Governo deve investir, porque, no seu entendimento, a água mobilizada para agricultura não é suficiente para um oitavo dos agricultores.

A quantidade da água que chega às parcelas, quando chega, é forma muito irregular e às vezes com elevado teor de sal e com perdas na produção.

Durante a manifestação, os manifestantes empunhavam cartazes com ditos como “agricultura sem água não existe”, “queremos água para trabalhar”, “já é hora de resolver o problema”, “Primeiro-ministro onde está a solução”, “queremos mais respeito e responsabilidades”.

Durante o período em que os agricultores concentraram-se à frente da delegação do MAA, o delegado nem sequer saiu à rua para ver o que se passava e segundo informações de funcionários o mesmo se encontrava numa reunião e por isso não foi possível a sua reacção.

JR/JMV

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