Ilha do Fogo: Desenvolvimento sustentável das populações determina candidatura à reserva de biosfera – edil

São Filipe, 15 Mai (Inforpress) – O edil de São Filipe disse hoje que está à espera que o reconhecimento da ilha do Fogo como reserva de biosfera, possa contribuir para o desenvolvimento sustentável das populações residentes, trazendo mais qualidade de vida e visibilidade aos recursos naturais.

Jorge Nogueira que falava na cerimónia de apresentação pública da candidatura das ilhas do Maio e do Fogo à Reserva da Biosfera da Unesco, disse que o eventual reconhecimento dará mais visibilidade a essas ilhas, trazendo mais visitantes, o que por sua vez implica desenvolver outras actividades económicas com inovação e empreendedorismo, assim como mais emprego e um uso contínuo da ilha ao longo de todo o ano.

“Estamos todos optismistas porque Fogo tem valores naturais, patrimoniais e culturais únicos em torno dos quais será possível criar “uma marca” que permitirá diferenciar a ilha e o país como destino turístico”, disse o edil, notando que a reserva da biosfera será a ilha integral e o cordão de mar à volta.

Para Jorge Nogueira, a existência de elementos cuja diversidade, beleza natural e singularidade faz acreditar no projecto da biosfera e no futuro, que poderá e deverá representar para o desenvolvimento, observando que a entrada na rede das reservas, implica enormes trabalhos para conservação e desenvolvimento do espaço territorial, criando condições para os trabalhos de investigação e visitas turísticas.

Por seu turno, o ministro do Ambiente, Gilberto Silva, disse que “não há reserva de biosfera sem actividade humana, sendo fundamental que a actividade humana vá ao encontro daquilo que se definiu para se aprovar a candidatura à reserva que, por sua vez, fará parte da rede mundial das reservas de biosfera”.

De acordo com o governante, a apresentação da candidatura a Reserva Mundial de Biosfera para as ilhas do Maio e do Fogo, permitiu perceber a vantagem e a política de candidatura das duas ilhas, indicando que “tudo irá fazer para que apresentação da candidatura aconteça”, já que a mesma se insere na política ambiental dos governos de Cabo Verde.

A sustentabilidade, segundo Gilberto Silva, prossupõe muitas coisas, sendo que uma delas é o respeito por um conjunto de princípios e valores, não só no domínio de ambiente, mas também noutros domínios.

Nesta perspectiva defende a necessidade de se ter harmonia de interesse entre os homens, na exploração dos recursos naturais nas ilhas do Maio e Fogo, indicando que é fundamental para um país que quer se desenvolver no domínio de turismo, que haja uma harmonia de interesse que passa por um bom planeamento e que os instrumentos sejam respeitados para que a reserva continue a merecer sempre este título.

A candidatura, explica, Gilberto Silva, não é uma documentação à Unesco, a sua importância reside um pouco no processo, disse, adiantando que não vale a pena elaborar um bom documento que seja bem-apresentado e apadrinhado, e depois na prática tudo continuar na mesma.

“Cada cabo-verdiano, sobretudo foguenses ou maienses, tem de sentir orgulho de pertencer a um país ou uma ilha que é reserva mundial da biosfera e tenha responsabilidade de comportar e ajudar para que o planeta mantenha esta parte do território como reserva”, disse Gilberto Silva que apela para uma efectiva participação de todos, notando que Cabo Verde continua a contar com Portugal, em particular, neste processo.

O ministro do Ambiente de Portugal, João Pedro Matos, presente à cerimónia, disse que a actividade humana é ela própria produtora de biodiversidade e que o homem faz parte da diversidade quando produz actividades certas em locais certos, notando que é isso que a reserva de biosfera pretende reconhecer.

“Não há reserva de biosfera em sítios onde não há aglomerados humanos”, disse João Pedro Matos, indicando que é a partir dos aglomerados humanos que se construam actividades que são fundamentais na estruturação da própria biodiversidade.

O titular da pasta do ambiente de Portugal, disse ainda que o seu país empenhará a fundo junto da Unesco para que se reconheça o mérito da candidatura de Cabo Verde.

“Estamos convosco neste processo e não temos a mais pequena dúvida do mérito das candidaturas. Por isso contem connosco num contexto bilateral ou da CPLPL, de parceiros de Cabo Verde na aprovação dessas duas candidaturas”, disse João Pedro Matos.

JR/FP

Inforpress/Fim