Ilha do Fogo: CPR do PAICV diz que PM faltou respeito à população ao avaliar positivamente a execução do plano de emergência

São Filipe, 27 jun (Inforpress) – A Comissão Política Regional (CRP) do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), na ilha do Fogo considerou hoje, que o primeiro-ministro “faltou respeito à população da ilha” ao avaliar “positivamente” a execução do plano de emergência.

Em conferência de imprensa, o vice-presidente da CPR, Fábio Vieira, disse que “só um primeiro-ministro desatento e insensível para com os reais problemas que assolam, sobretudo os agricultores e criadores de gado, pode exibir o sucesso na implementação do programa de emergência para a mitigação da seca e do mau ano agrícola, numa clara tentativa de ludibriar a opinião pública”.

Para a CPR a implementação do programa só permitiu inaugurar um novo estágio das frentes de alta intensidade de mão-de-obras (FAIMO), tendo em conta, segundo Fábio Vieira, pela sua “matriz assistencialista” que suporta.

Conforme este responsável, a situação por que passa a ilha do Fogo não é diferente do cenário nacional resultante de uma “seca violenta e mau ano agrícola”, mas acrescenta que, “acima de tudo marcado pela letargia do actual governo e a ausência de medidas de políticas consistentes e assertivas para por cobro à situação”.

Fábio Vieira, sublinhou, por outro lado, que o programa não responde às reais necessidades e nem às expectativas das populações do Fogo, apontando, como exemplo, que o município dos Mosteiros submeteu um programa no valor de 46 mil contos para a mitigação do impacto do mau ano agrícola e que recebeu uma contraproposta do Governo no valor de 14 mil contos, montante que não lhe permitiu dar respostas eficazes aos problemas, e por isso a avaliação é negativa.

A CPR, no dizer de Fábio Vieira, repudia “toda e qualquer tentativa de insulto e menosprezo deste Governo para com as pessoas do Fogo os seus problemas”, e ressalva que já é tempo de se dar “um basta” na maneira como a maioria vem tratando os dossiês da ilha, “que sempre são relegados para um plano subalterno”.

Neste particular, Fábio Vieira lembrou que durante a campanha política o MpD prometeu a conclusão do anel rodoviário, a resolução da questão de Chã das Caldeiras, do porto de Vale dos Cavaleiros, do aeroporto de São Filipe, instalação do Instituto para o ensino superior, o turismo, resolução dos problemas de transportes, aéreos e marítimos, mas que não estão na agenda governativa.

Na perspectiva do PAICV, a implementação do programa de emergência para a mitigação da seca e do mau ano agrícola a nível da ilha do Fogo, “falhou em todas as suas vertentes e os resultados são um fracasso”.

Conforme realçou, dos mais de 200 mil vales cheques distribuídos na ilha, apenas 10 por cento (%), ou seja, 20 mil, foram usados na aquisição de ração animal, porque além da sua escassez frequente no mercado e a sua má qualidade, associa-se ainda a dizimação do gado por cães vadios perante a impotência das autoridades.

No rol das críticas feitas ao Governo, Fábio Vieira realçou ainda a questão da penúria de água para rega, a falta de apoio técnico no combate às pragas, “apesar das reivindicações por parte dos agricultores”, assim como a falta de emprego jovem.

Por tudo isso, a Comissão Política Regional do PAICV diz que o programa não pode ser considerado um sucesso e conclui que a avaliação do primeiro-ministro “mais não é do que uma propaganda política demagógica”.

JR/FP

Inforpress/Fim