Ilha Brava: Festeiras lamentam desinteresse jovem em participar nas festas religiosas e tradicionais

Nova Sintra, 15 Ago (Inforpress) – As festeiras que participam nos preparativos da festa de Nossa Senhora da Graça, padroeira da localidade de Nossa Senhora do Monte, na ilha Brava, lamentam a não participação dos jovens na organização dos festejos.

Júlia Moreira, uma festeira, avançou à Inforpress que a festa de Nossa Senhora da Graça é um “pouco diferente” das outras a nível de organização, porque esta não tem uma “festeira” particular que organiza tudo.

“Esta festa é organizada pela comunidade católica da ilha”, e conta com o apoio de vários emigrantes. “Não é uma festa a escolher, é de todos que querem participar”, diz Júlia.

A festeira apela a Nossa Senhora que “dê uma luz aos jovens”, para que estes possam “seguir os bons caminhos”, porque a sociedade está a cada dia, “mais medonha e com tendências desviantes”.

É nesta óptica que outra festeira e coladeira da “Ilha das Flores”, Iva Gomes, lamenta o facto dos jovens não quererem participar nem na organização, e, muito menos, nas “responsabilidades” que estas festas exigem.

“Em todas as festas colamos, cozinhamos, mas a idade já está a aproximar e, com isso, o cansaço. Daqui há alguns anos, sentimos a necessidade de entregar estas responsabilidades aos mais jovens”, adianta a festeira, consciente que após a “aposentaria” da actual organização, a parte cultural e tradicional corre o risco de desaparecer.

“Ninguém quer aprender. Mas é necessário. Colá não, cozinhar não, porque consideram isso um desprezo”, observa.

Iva explica que às festas tradicionais e culturais na Brava iniciam a partir de Santo António, 13 de Junho, na localidade de Lém, e terminam no dia 15 de Agosto com a Nossa Senhora da Graça. E, as coladeiras e cozinheiras fazem um ‘tour’ por todas as festas da ilha.

Com o desinteresse jovem, estas tradições vão cair em desuso, lamenta, “com muita pena”, pois, para Iva, estas festas na ilha só têm sentido, com estas “brincadeiras”.

O frei Odair deixa uma mensagem aos jovens, para serem “unidos” e “apoiarem” uns aos outros, de forma a não deixarem que somente os “mais velhos” tomem conta de tudo.

Segundo o sacerdote, hoje em dia, a sociedade tem muitas “ofertas” para os jovens e é “normal” que estes se “dispersam”.

Sendo assim, exorta o pessoal da organização e as “mulheres da cultura” da ilha a não “desistirem” desta camada. Que continuem a incentivá-los, de forma a mantê-los sempre por perto. Assim, “quem sabe eles não apanham o gosto pelas coisas tradicionais”, enfatiza o sacerdote.

MC/CP

Inforpress/fim