ICIEG está preocupado e repudia a perda de cinco vidas nos últimos dois meses resultantes de VBG

 

Cidade da Praia, 21 Jul (Inforpress) – O Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) manifestou hoje a sua preocupação e repúdio em relação a perda de cinco vidas humanas nos últimos dois meses, resultantes da violência baseada no género (VBG).

Em conferência de imprensa na Cidade da Praia, a presidente do ICIEG, Rosana Almeida, disse que a instituição vai juntar-se à Rede Laço Branco, que esteve representado pelo seu presidente Clóvis Silva, para “trabalhar a masculinidade” baseada na força e na subjugação do outro que só tem trazido “mágoa e sofrimento”.

“Queremos manifestar a nossa preocupação e repúdio no que se refere à perda de vidas humanas resultantes da VBG. É com muito pesar e indignação que mais uma vez o ICIEG, enquanto instituição pública que luta para a igualdade e equidade de género, é confrontado com uma notícia de homicídio seguido de suicídio”, disse, referindo-se ao crime ocorrido na ilha do Fogo, esta semana.

Segundo Rosana Almeida, nos últimos dois meses foram cinco jovens, com idade entre os 20 e 30 anos, que morreram cedo e que deixaram crianças órfãs, motivo para que o ICIEG “clame” para uma acção de todos, nomeadamente famílias, vizinhos, igrejas, autoridades locais, ONG’s, instituições públicas e privadas, para um trabalho de prevenção conjunto, visando “travar” o aumento de casos do tipo.

A responsável indicou que brevemente, ao lado do Laço Branco, o ICIEG vai avançar com um manifesto pela paz e cultura da não violência, trabalhar “novas masculinidades”, assim como as questões de género e da cultura da paz com as crianças e jovens, e promoção de campanhas televisivas e radiofónicas para sensibilizar, informar e consciencializar a sociedade sobre a “gravidade da problemática”.

“Aproveitamos para dizer à sociedade cabo-verdiana que existem formas de trabalharmos esta questão, agindo na prevenção, com uma linha grátis (8001818) para denunciar casos que VBG que é um crime público”, salientou Rosana Almeida que precisou que agora essa linha já pode ser usada através de telemóveis.

Por sua vez, Clóvis Silva esclareceu que o Laço Branco tem assumido o desfio de trabalhar a questão da masculinidade a nível nacional e que nos últimos meses a rede tem trabalhado na criação de núcleos em todos os municípios de Cabo Verde, como forma de conseguir alterar a “forma tóxica de exercer a imaculidades”, ou seja, utilizar a violência nas relações de intimidade que até leva à morte.

“Acredito que o que aconteceu nos últimos dois meses tem de ser motivo de repúdio”, salientou Clóvis Silva que aproveitou para anunciar e convidar a população da Cidade da Praia para participar, no dia 29 de Julho, numa marcha promovida pela Rede Laço Branco, ICIEG e ONU-Mulheres e que vai envolver as Forças Armadas, a Polícia Nacional e as ONG’s, para apelar à não violência baseada no género.

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Inforpress/Fim