ICIEG e parceiros actualizam conhecimentos para dar melhor resposta às vítimas de VBG

Cidade da Praia, 26 Jun (Inforpress) – O ICIEG e os parceiros encontram-se reunidos na cidade da Praia, para criar as condições de articulação e permitir que o atendimento às vítimas de VBG seja cada vez mais eficaz, mais célere e com qualidade na resposta.

A informação foi avançada à imprensa pela presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), Rosana Almeida, à margem do Encontro Nacional da Rede Sol (Rede de Atendimento às Vítimas VBG), que reúne representantes da Polícia Nacional (PN), procuradorias, câmaras municipais, ONG e organizações da sociedade civil.

Rosana Almeida referiu-se a um dado novo que é o facto de os crimes de VBG (Violência Baseada no Género), de acordo com os dados da polícia, terem estado a baixar 19 por cento (%) em relação a 2016.

Perante estes dados, acrescentou a presidente do ICIEG, foram obrigados a tocar numa outra questão que é ver como é que as pessoas, instituições e ONG que lidam com o ICIEG neste combate à VBG estão a responder.

“Apesar da resposta, entendemos que o ideal seria começarmos a trabalhar na actualização dos conhecimentos para uma melhor resposta às vitimas da VBG. São estas questões que nos trazem aqui num grande encontro nacional, cuja meta é criar condições para que a articulação que desejamos com vista a darmos respostas ao atendimento às vítimas seja cada vez mais eficaz, mais célere e com qualidade”, precisou.

A presidente do ICIEG manifestou-se “feliz” com os dados da PN que apontam para uma diminuição de cerca de 19% dos casos de VBG em Cabo Verde, abarcando concelhos como Santa Catarina, São Vicente e depois a Praia, mas, admitiu, a ilha de Santiago continua a preocupar o instituto por ser a ilha com uma densidade populacional maior.

Portanto, ajuntou, é começar a trabalhar com todos por ser esta uma luta que envolve hospitais, polícia, procuradoria, câmaras municipais, ONG, e que “se um falhar o processo falha”.

“E é isto que estamos a fazer aqui, ver como é que vamos trabalhar para que esta rede seja sólida e, de facto, continue e que venha a articular no sentido de responder cada vez mais às questões ligadas à violência baseada no género em Cabo Verde”, reiterou Rosana Almeida.

Esta diminuição pode, no entender da mesma fonte, ter a ver com o facto de as pessoas hoje estarem conscientes da existência da Lei VBG e do impacto da mesma na sociedade cabo-verdiana, pese embora, realçou, ainda não haja um estudo concreto que aponte para isso.

Posto isto, além da articulação com os parceiros e actualização dos conhecimentos, o desafio, elencou, é cada vez mais trabalhar no empoderamento das mulheres para evitar situações de violência, trabalhar na masculinidade, nas mentalidades, atacar crianças e adolescentes, na mudança de comportamento e nos estereótipos de género.

“Porque se não conseguirmos esta mudança que a sociedade precisa não vamos conseguir impactar e ter os resultados que desejamos”, assegurou a presidente do ICIEG, cuja Rede Sol existe hoje nos 22 municípios do país.

Cabo Verde registou, em 2017, menos 579 casos de VBG do que em 2016, mas este tipo de crime representa 24% do total de crimes contra pessoas, segundo dados divulgados em Fevereiro deste ano, durante a sessão de abertura do XII Conselho de Comandos da Polícia Nacional.

Na ocasião, durante a apresentação, o director da Polícia Nacional, Estaline Moreno, assinalou os progressos registados nos concelhos da Praia (-28%) e Santa Catarina (-46%), na ilha de Santiago, e Mindelo (-21%), ilha de São Vicente, que viram reduzir este tipo de crime.

A cerimónia de abertura do encontro nacional da Rede Sol foi presidida hoje pela ministra da Família e Inclusão Social, Maritza Rosabal, e contou com intervenções dos representantes da ONU Mulheres e da Cooperação Espanhola, parceiros, segundo o ICEIG, “altamente comprometidos e engajados” na erradicação da VBG em Cabo Verde.

ZS/CP

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