ICIEG convida sociedade cabo-verdiana a construir uma cultura de paz em vez da violência no seio da família

 

Cidade da Praia, 08 Dez (Inforpress) – Cabo Verde em 2017 registou, em dois meses, sete casos de violência no seio familiar com quatro homicídios seguidos de suicídio, disse hoje a presidente do ICIEG, que convida a todos a construírem uma cultura de paz na família.

Rosana Almeida falava na cerimónia de abertura de um encontro promovido pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), na Cidade da Praia, para debater a cultura da paz e da violência no contexto familiar.

A responsável do ICIEG avançou tratar-se de dados e números que não podem deixar ninguém indiferente e que clamam por uma estratégia de combate de violência no seio da família.

“Temos de mudar de paradigma e tentar perceber sobre o que se passa e que caminho seguir. Felizmente, esta situação eclodiu numa altura em que a instituição estava a braços com os resultados do estudo da avaliação da lei VBG (Violência Baseada no Género) em vigor no país”, afirmou.

Segundo a presidente do ICIEG, a instituição precisava saber o que está bem com a lei, mas, sobretudo, focar e olhar com outros olhos as lagunas, realidades e desafios que teimam em persistir.

Face a esta situação, e tendo em conta o estado actual da violência no país, Rosana Almeida disse que todos são chamados a agir e lembrou que dados do relatório anual sobre a situação da justiça no país indicam que de Agosto de 2015 a Julho de 2016 deram entrada, na Procuradoria, 215 processos-crime por homicídio, 95 de forma tentada, 80 homicídios simples e 37 negligentes.

“O ICIEG, como organismo do Estado que liga directamente com as vítimas, sente que é tempo de acção e de um comprometimento de todos os sectores para que níveis de violência não se tornem incomportáveis”, afirmou.

Ainda segundo Rosana Almeida, desde a entrada em vigor da lei VBG tem registado diminuição de casos denunciados, mas informa que de 2011 a esta data entraram em todas as comarcas do país, mais de 16 mil casos de violência, sendo que 8.559 foram resolvidos.

Perante estes números, indicou que um processo de carácter urgente não pode juntar à lista das pendências nos tribunais, mas sim, precisa de resposta célere tal com está na lei, em 48 horas, sob pena dos contornos que envolvem esses crimes se tornarem mais complexos.

O debate de hoje sobre a cultura da paz e da violência no contexto familiar contou com a participação de entidades religiosas, sociedade civil, comunicação social e da Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC).

O evento está enquadrado nas actividades dos 16 dias de activismo contra a violência, que decorre de 25 de Novembro a 10 de Dezembro, instituído pelas Nações Unidas, visando a consciencialização e o enfrentamento de todos e todas perante o flagelo social que é a violência.

PC/CP

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