Hospitais em São Tomé registam esta semana 42 novos casos da “doença desconhecida”

São Tomé, 25 Fev (Inforpress) – Os hospitais em São Tomé e Príncipe registaram esta semana 42 novos casos da chamada “doença desconhecida”, mas a directora dos cuidados de saúde refere que o número de pessoas infectadas “está com tendência para diminuir”.
Seis meses depois de a doença começar a afectar o sistema nacional de saúde do arquipélago, o governo diz ter chegado a conclusão de que se trata de uma ‘celulite necrotizante’.
As autoridades sanitárias são-tomenses dizem que ainda não descobriram uma cura para a ‘celulite necrotizante’ que já infectou quase 2.000 pessoas desde Outubro do ano passado, altura em que começaram a surgir os primeiros casos.
“O tratamento direcionado para esta doença em concreto ainda não temos”, disse Maria Tomé Palmer, directora dos cuidados de saúde são-tomense.
Segundo a médica, os pacientes estão a ser tratados com “uma combinação de antibióticos”, conforme a orientação do infecciologista português, o primeiro a ser chamado pelo governo são-tomense para analisar a doença.
“Porque está envolvida a infeção da pele que depois rapidamente desenvolve para necrose, com a morte do tecido”, explica Maria Tomé Palmer, sublinhando desconhecer até então o agente patológico que causa a infecção.
Em Janeiro deste ano as autoridades sanitárias haviam avançado 1994 casos de pessoas infectadas pela doença de origem desconhecida, mas o Ministério da Saúde vem hoje dizer que “tem havido sobreposição na identificação de pessoas afetadas pela doença” para explicar que afinal o número é bem mais inferior.
Referiu-se a “casos de pessoas infetadas que se registam” em dois ou três postos de saúde diferentes.
“Estamos a proceder a verificação dos livros de registo, mas informamos que o número não ultrapassa os 1350 casos”, diz a diretora são-tomense dos cuidados de saúde, sublinhando que “o mecanismo de propagação da doença ainda é desconhecido, mas importa dizer que estamos perante uma doença infecciosa, mas não contagiosa”.
Maria Palmer fez o primeiro “balanço” da doença para jornalistas, sublinhou que perante “a situação do crescente número de celulite necrotizante o governo promete clarificar a situação e tomar medidas para reforçar respostas do nosso sistema de saúde”.
Mais de meia centena de amostras foram enviadas para laboratórios especializados nos Camarões, Benim, Portugal e Bélgica para determinar o agente teológico responsável pela doença e sua propagação, informou a médica.
O governo aprovou um “plano de acção” de combate ao surto e criou um comité nacional e outro multidisciplinar para fazer face a doença que está a preocupar seriamente as autoridades.
Segundo a directora dos cuidados de saúde, a faixa etária mais atingida pela enfermidade é a partir dos 35 anos, sendo que os homens representam 57% e mulheres 43%. A doença alastrou-se para todos os distritos do país.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou para São Tomé uma representante para “acompanhar de perto e coordenar o surto epidémico” que já afectou várias centenas de cidadãos, disse a Lusa fonte da instituição na capital são-tomense.
Segundo a mesma fonte, Rosa Maria Silva, de nacionalidade cabo-verdiana chegou a São Tomé e Príncipe na quinta-feira por orientação do diretor regional da OMS onde vai “permanecer durante algum tempo”.
Na sexta-feira reuniu-se com a ministra da Saúde, Maria de Jesus Trovoada, com o ministro dos negócios estrangeiros e comunidades, Urbino Botelho e com a coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas.
Outros dois consultores epidemiologista da OMS chegaram a São Tomé esta semana para trabalhar com os médicos nacionais para esclarecimento dos agentes causadores dos casos de celulite necrosante.
Lusa/Inforpress/Fim