“Há espaço na política para a juventude impor-se sem se submeter às ideologias partidárias”, José Maria Neves

 

Cidade da Praia, 22 Dez (Inforpress) – O antigo primeiro-ministro José Maria Neves considerou esta tarde existir espaço na política para a juventude cabo-verdiana impor-se sem se submeter às ideologias partidárias, enquanto “bem fundamental” em qualquer sociedade, pelo que estimula o “engajamento pleno”.

Durante uma “Conversa aberta sobre a participação de jovens na política”, promovida nesta cidade pela Juventude do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (JPAI), Neves considerou ser importante garantir a formação política dos jovens e a participação cidadã da juventude no processo da formação da vontade política.

Isto por considerar “ser fundamental” para a democracia e para o desenvolvimento sustentável de qualquer país, tendo sublinhado que os jovens podem trazer novas ideologias, propugnar e fazer políticas de forma diferente.

Entende que quando a juventude investe na política com espírito de engajamento, patriótica e com conhecimento da filosofia e da ciência política e do próprio país, pode, perfeitamente, trazer novas dimensões, de forma a permitir que se faça política “com ética e engajamento positivo” para a vida política.

O político, que governou Cabo Verde durante 15 anos consecutivos, afirmou que existe espaço para que os jovens possam impor-se sem se submeterem às ideologias partidárias, argumentando que os partidos políticos devem ser espaços de discussão, de confrontos de ideias, na promoção da justiça e do bem comum.

Sempre que há democracias há liberdades de expressão, atestou, o reconhecimento do outro e espaço para o pensamento divergente, razão pela qual considera ser indispensável em política, para que haja liberdade, novidade, participação dos jovens.

“Eu acredito que a participação dos jovens é fundamental em política e para a sua permanente inovação”, enfatizou, afirmando que existem muitos debates políticos nos partidos e que geralmente o que sai fora é que simboliza a convergência do debate realizado internamente.

Recorreu-se do escrutínio eleitoral recente na Catalunha (Espanha) para recordar que o partido que ganhou as eleições desta quinta-feira, ainda que não com a maioria absoluta, teve toda a campanha liderada por uma jovem advogada, assim como lembrou que o novo chanceler da Áustria tem 31 anos e que assumiu o Ministério das Relações Interiores com 29.

O próprio Macron, em França e o antigo presidente Obama, dos Estados Unidos da América, foram também apontados como exemplo da irreverência da juventude extensiva à sua pessoa, alegando ter começado a fazer a política muito jovem e que em 2001 a sua geração rompeu um conjunto de formas de fazer política.

Esta conversa aberta teve ainda como oradora a antiga deputada da Nação, Dúnia Pereira, que partilhou a sua experiência enquanto jovem na política com a plateia, asseverando que os partidos políticos abrem espaços para jovens, mas que estes terão de desbravar as barreiras.

Admitiu, entretanto, não ser “nada fácil” às mulheres participar na política, mas aconselha os jovens a participarem mais “porque Cabo Verde precisa”.

SR/AA

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