Há desafios a serem equacionados para melhorar as respostas a nível da segurança nacional – PN

Cidade da Praia, 15 Nov (Inforpress) – O director da Polícia Nacional disse hoje que a instituição tem conseguido responder aos desafios que os colocam, mas há ainda desafios a serem equacionados, a curto prazo, para melhorarem as respostas a nível da segurança nacional.

Emanuel Estaline Moreno fez essas considerações quando discursava na cerimónia comemorativa do 148º aniversário da criação do Corpo de Polícia de Cabo Verde, realizada hoje na Assembleia Nacional, tendo destacado na ocasião o empenho e o profissionalismo dos agentes da polícia.

Segundo disse, estes têm dado um “contributo inestimável” para a melhoria das condições de segurança e tranquilidade pública, para a redução da criminalidade e, consequentemente, a melhoria do sentimento de segurança que, na actual conjuntura, ”deixaram de estar no topo da lista das preocupações dos cabo-verdianos, em termos de percepções”.

Apesar de reconhecer o esforço do Governo em querer resolver as necessidades dessa instituição, Emanuel Moreno considerou que “muito se tem feito, mas muito ainda falta fazer para melhorar a capacitação dos polícias”.

Como ganhos conseguidos nesses últimos dois anos, destacou a aprovação do novo regime remuneratório aplicado ao pessoal policial, atribuição de novos meios de mobilidade, alteração da orgânica, revisão do plano curricular de formação dos agentes, revisão do regulamento da admissão e frequências nos cursos de promoção e acções de formação dos agentes.

“A implementação da primeira fase do projecto Cidade Segura, cujos efeitos na Cidade da Praia são altamente positivos, reflectindo nos resultados conseguidos e na gestão da segurança urbana, sobretudo, em relação a prevenção situacional, reduzindo as oportunidades e dificultando as condições para ocorrência dos delitos”, indicou.

Apontou ainda a disponibilização de novos espaços físicos para o funcionamento das esquadras do Paul, da Calheta, Tarrafal de São Nicolau e de Ribeira Grande de Santiago e ainda a mudança, para breve, da esquadra da Brava para novas instalações.

Segundo o director Nacional da Polícia, a PN tem conseguido responder os desafios, seja no domínio da prevenção da criminalidade, da ordem e tranquilidade públicas, de investigação criminal, do controlo de arma e explosivos, das operações sociais, da prevenção e de segurança rodoviária, da segurança aeroportuária, da fiscalização aduaneira e marítima, entre outros.

Como resultados, apontou que no período de Janeiro a Setembro deste ano, a PN processou menos 3499 ocorrências, equivalente a menos 20,3%, comparado com o período homologo de 2017, os crimes contra pessoas estão a diminuir tendo-se registado menos 30,5% de casos, equivalente a menos 2551 ocorrências, enquanto os crimes contra património também diminuíram na ordem dos 10,7%, equivalente a menos 948 ocorrências.

“Portanto, menos homicídios e neste particular é de registar que no concelho da Praia registaram menos 23% de crimes de homicídios do que no ano passado. Menos ofensa a integridade física na ordem dos 22%, menos roubo na via pública na ordem de 7,5%, menos ameaças, menos casos de violência baseado no género na ordem dos 42,6% e menos 35% de agressões sexuais”, indicou.

No capítulo das actividades policiais, indicou, aumentaram em 30% as acções de rusgas pela polícia, em 27% o número de policiamento nos locais de diversão nocturna, 95% em fiscalizações conjuntas nos bares, em 44 % da fiscalização dos estabelecimentos comercias, 38% revistas durante as operações, e em 16% em visitas de estabelecimento de ensino.

Em relação ao trânsito a nível nacional, verificou-se um aumento de acidentes de viação na ordem de 11%, sendo as principais causas a negligência e as manobras perigosas, que provocaram por um lado menos 21 feridos, mas por outro, mais 10 mortos, revelou.

No domínio da prevenção de crimes, segundo Emanuel Moreno ainda existem desafios a ser equacionados, a curto prazo, para melhorarem as respostas à segurança nacional.

“A segunda fase da implementação do projecto Cidade Segura, que deverá ser reforçada com outros sistemas de gestão, por exemplo, o de tráfico de veículos e de leitura automática de matrículas, o sistema de controlo da circulação de cidadãos estrangeiros no território nacional, o reforço de segurança aeroportuária e a instalação da Direcção Central de Investigação Criminal”, sublinhou.

Na ocasião, o director Nacional da PN, anunciou a entrada de mais 120 agentes em 2019, a construção de raiz da esquadra na ilha de Fogo, e a entrega de 30 casas aos agentes de Espargos e mais 10 em Santa Maria, na ilha do Sal e mais 30 habitações na ilha da Boa Vista.

AM/FP

Inforpress/Fim