Guterres exige à Birmânia fim de acções militares contra Rohingyas e acesso humanitário

 

Nações Unidas, Nova Iorque, 28 Set (Inforpress) – O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu hoje novamente à Birmânia o “fim das operações militares” no oeste do país e “um acesso sem entraves para a ajuda humanitária” à minoria Rohingya.

Num discurso proferido no Conselho de Segurança, reunido numa rara sessão pública sobre a Birmânia, Guterres exigiu também que o Governo birmanês “garanta o regresso em segurança, voluntário, digno e duradouro” às suas regiões de origem dos refugiados que fugiram para o Bangladesh.

“A realidade no terreno exige uma acção – uma acção rápida – para proteger as pessoas, atenuar o seu sofrimento, impedir mais instabilidade, atacar a raiz do problema e assegurar uma solução duradoura”, sustentou o secretário-geral das Nações Unidas.

A situação da minoria muçulmana rohingya tornou-se “um pesadelo humanitário e no domínio dos direitos humanos”, frisou.

Referindo testemunhos que dão conta de um “excessivo recurso à violência e de graves violações dos direitos humanos”, de “disparos à queima-roupa” e utilização de minas, bem como de “violência sexual”, o responsável máximo da ONU sublinhou que tal “é inaceitável” e deve “parar imediatamente”.

Se nada for feito para pôr “um fim a esta violência sistemática”, ela “arrisca-se a alastrar ao centro do estado de Rakhine, onde mais 250.000 muçulmanos poderão ver-se obrigados a fugir”, salientou Guterres.

Por fim, o secretário-geral da ONU indicou que se realizará uma conferência de doadores a 09 de Outubro, por iniciativa da organização, embora não tenha precisado onde decorrerá.

Estima-se que os rohingyas – uma minoria étnica não reconhecida pelas autoridades birmanesas – sejam cerca de um milhão, havendo entre 10.000 e 20.000 pessoas dessa etnia, exaustas, esfomeadas e por vezes feridas a franquear diariamente a fronteira para o Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo.

Perante a dimensão do êxodo, que hoje atingiu o número simbólico de meio milhão de refugiados chegados ao Bangladesh desde 25 fim de Agosto, a ONU falou mesmo em “limpeza étnica”, tendo o Conselho de Segurança exigido, a 13 de Setembro, à Birmânia medidas “imediatas” para fazer cessar a “violência excessiva” no estado de Rakhine.

Nos seus relatos, os refugiados descrevem massacres, incêndios de aldeias, torturas e violações colectivas.

A violência e a discriminação contra os rohingyas intensificaram-se nos últimos anos: tratados como estrangeiros na Birmânia, um país mais de 90% budista, são a maior comunidade apátrida do mundo.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, têm sido submetidos a muitas restrições: não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais).

 

Inforpress/Lusa

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