Governo quer que sensação de passividade face à “violação” de menores seja impedida através de leis

Cidade da Praia, 04 Jun (Inforpress) – O ministro que tutela a Comunicação Social exortou os cabo-verdianos a agirem junto dos agentes legisladores por forma a levar com que a sensação de passividade face à “violação” de menores seja impedida através de leis.

Abraão Vicente lançou esse repto hoje, por ocasião da apresentação do “Guia para cobertura jornalística em matéria de violência sexual contra crianças e adolescentes”, que coincidiu com o Dia Nacional Contra o Abuso e Exploração Sexual de Menores, que se assinala a 04 de Junho.

“No Dia Nacional Contra o Abuso e Exploração Sexual de Menores não podemos nem devemos fechar os olhos. Na era da indignação momentânea é preciso não fechar os olhos perante a atrocidade que é qualquer acto de violação da dignidade física, intelectual, moral e social da criança”, disse.

O governante que propõe “tolerância zero” no que tange à violência sexual contra crianças e adolescentes, é de opinião que o papel dos comunicadores no que se refere à denúncia é “crucial” para que o país possa enfrentar desse desafio.

Por este motivo, Abraão Vicente entende que o Guia para cobertura jornalística em matéria de violência sexual contra crianças e adolescentes “não é apenas um instrumento de trabalho, mas também de pedagogia”.

“Nesse sentido o papel dos órgãos da comunicação social e dos jornalistas é informar e formar com pedagogia, dar todas as informações possíveis, mas sem ferir e comprometer a imagem e a dignidade das crianças e famílias”, realçou.

O ministro lembrou ainda, que numa era em que se vive numa sociedade de boatos e de rumores, é preciso o bom-senso e mediação de um bom jornalismo e jornalista, para que este possa saber como informar quando a questão é violação de um menor.

De a cordo com o governante, a educação para a dignidade das crianças, adolescentes, jovens e mulheres que sofram de violência sexual, deve ser inscrita como parte de uma estratégia nacional, visando criar um ambiente em que “a impunidade seja banida”.

Por seu turno, a representante da Unicef em Cabo Verde, Ilária Carnevali, ao usar da palavra no mesmo acto considerou o Guia hoje apresentado aos comunicadores um instrumento de apoio que foi baseado nas novas ferramentas de literatura em matéria de prevenção à violência sexual contra as crianças e adolescentes.

“Enquanto profissionais da comunicação social têm neste poder um grande privilégio, pois, são as vozes, os olhos e ouvidos das crianças e adolescentes e dos actores sociais e com vantagem de poder ampliar e promover os direitos, assim como a prevenção de actos de violação”, disse.

Isto porque, salientou, é através da actuação de cada um dos comunicadores e do seu profissionalismo que a sociedade terá elementos para compreender, avaliar e tomar as melhores atitudes face ao desenvolvimento da criança.

Para a presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente, Maria José Alfama, o instrumento que hoje se facilita aos comunicadores além de ajudar, traz também sugestões de agendas para cobertura jornalística e dicas de abordagem ética em texto e imagem.

Falando da efeméride que hoje se assinala, Maria José Alfama enfatizou afirmando que ao marcar a data o país reconheceu que “falhou” na protecção da criança e do adolescente.

O Guia para cobertura jornalística em matéria de violência sexual contra crianças e adolescentes conta com 60 paginas e está estruturado em três capítulos: capitulo 1 denominado a “Violência Sexual, o conceito”; capitulo 2 “As faces da Violência Sexual” e capitulo 3 “A protecção de crianças e adolescentes contra a violência sexual”.

Participaram na apresentação do Guia para profissionais de comunicação social, técnicos do ICCA técnicos do UNICEF e outras agencias das Nações Unidas em Cabo Verde.

PC/FP

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