Governo quer garantir “boa articulação” entre os organismos que contribuem para prevenção das crises alimentares

 

Cidade da Praia, 29  Jun (Inforpress) – O Governo quer garantir uma “boa articulação” entre os organismos que contribuem para a prevenção das crises alimentares na região saheliana, países membros do CILSS e da CEDEAO, através do encontro de discussão sobre a campanha agrícola 2017-2018.

A intenção foi manifestada pelo ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, que falava à imprensa hoje na Cidade da Praia, à margem do encontro de discussão sobre a campanha agrícola 2017-2018, promovido pelo CILSS e seus parceiros técnicos e financeiros.

O governante avançou ainda que esses países pertencem a uma região com “fortes” oscilações climáticas, onde existem “sérios riscos” de produção agrícola, por isso defende que medidas devem ser pensadas e tomadas com antecedência.

“Graças a Deus a nível planetário este ano se espera com abundância as chuvas, mas há vários outros factores de risco, designadamente os factores inerentes às pragas e mercados”, disse, explicando que nem sempre a produção resulta em rendimento.

No dizer deste responsável, o lucro como um instrumento que está “intimidante” ligado à pobreza e este último, com acesso directo aos alimentos, implica o Governo a colocar a segurança alimentar na ordem do dia, tendo em conta as situações inerentes à produção agrícola.

“Por isso, a concertação entre as regiões é fundamental, tem de haver sinergias entre os países na adopção da política e de mecanismos que contribuem para que nós possamos prever as situações menos boas e tomar medidas atempadamente”, sublinhou.

De referir que o Comité Permanente Inter – Estados de Luta contra a Seca no Sahel (CILSS) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) têm dado “passos importantes” na consolidação de mecanismos de resiliência e de concertação com programas que fazem desses países serem mais “resilientes”, que lutem contra as vicissitudes climáticas e os efeitos impostos pela mudança do mesmo.

Outra preocupação levada à reunião para ser articulada e partilhada com os membros presentes, é a situação alimentar e nutricional do país. De acordo com o ministro, Cabo Verde constitui um arquipélago “dependente” da importação, o que implica toda a programação, a gestão, a produção agrícola e os factores de risco durante o ano.

“Temos que encontrar mecanismos comuns que servem a todos no sentido de sermos uma região resiliente”, enfatizou.

Por sua vez, o secretário executivo do CILSS, Djimé Adoum, disse que Cabo Verde é um país insular, por excelência saheliano e oeste-Africano, cuja natureza insular impõe novas estratégias e métodos na resolução dos problemas continentais, em particular os problemas de Cabo Verde no que toca à situação da água.

Djimé Adoum garantiu que vão regressar a Cabo Verde, uma vez que o CILLS possui parceiros no domínio da água, nomeadamente a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a União Europeia (UE), e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que juntos vão se empenhar para colaborar com o país neste sector.

“Tomamos boa nota das preocupações e naturalmente quando se fala de água, para a produção, a modernização do sector da produção, a valorização, a criação de riqueza e emprego, constituem preocupações dos nossos governantes”, sublinhou.

Diante destes factos, aquele responsável afiançou que o CILSS com as suas experiências técnicas e práticas, colocará tudo o que poder à disposição para que efectivamente Cabo Verde possa desenvolver o seu sector de produção.

A reunião contou com a participação dos “experts” do CILSS, representantes dos organismos internacionais e regionais, organizações intergovernamentais, parceiros técnicos e financeiros, organizações humanitárias e representantes dos sistemas de informação de segurança alimentar e nutricional e alerta precoce nacionais.

AF/ZS

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