Governo quer dotar país de condições para ser mais resiliente e menos sujeito aos impactos das alterações climáticas

Cidade da Praia, 09 Jul (Inforpress) – O primeiro-ministro reiterou hoje, na Praia, que o Governo está a trabalhar para dotar o país de condições para ser mais resiliente e menos sujeito aos impactos e choques das alterações climáticas que são imprevisíveis.

Ulisses Correia e Silva deu essa garantia em declarações aos jornalistas depois de presidir à cerimónia de abertura da 3ª reunião ordinária do Conselho Nacional de Água e Saneamento (CNAS), quando instado sobre a preparação do próximo ano agrícola que está à porta, já que o país enfrenta desde 2017 a pior seca dos últimos 36 anos.

“Queremos que os programas de intervenções não sejam apenas de emergência, mas para dotar Cabo Verde de condições para ser mais resiliente”, afirmou, explicando que é preciso criar condições para mobilizar instrumentos financeiros e mecanismos que possam ser accionados em caso de emergência e não esperar para contribuições avulsas dos parceiros, assim como promover a mudança da prática de ordenamento agrícola e pecuária.

O primeiro-ministro mostrou-se ciente de que o arquipélago precisa utilizar outros meios de mobilização de água, como forma de ser menos dependente da chuva, nomeadamente a dessalinização, sendo que neste momento o país tem em curso um pacote de 30 milhões de euros da parte do governo da Hungria para o financiamento deste sector.

Ainda em relação à seca e ao mau ano agrícola, o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, disse também em declarações à imprensa, que as obras de desassoreamento da Barragem de Poilão, ilha de Santiago, já estão em curso, que passa, primeiro, pela drenagem das águas.

O ministro esclareceu que o trabalho vai basear-se ainda na abertura de uma trincheira que vai até à descarga do fundo da barragem, que é o objectivo principal do momento, ou seja, a desobstrução da mesma.

A 3ª reunião ordinária do CNAS, que decorre durante todo o dia de hoje na capital do país, tem na agenda a aprovação do seu regimento, a socialização dos diplomas legislativos do sector de água e saneamento, bem como a apresentação das iniciativas ligadas ao sector.

O CNAS tem como atribuição emitir parecer e assegurar a concertação de posições políticas e sociais relativamente à gestão integrada e sustentável da água e do saneamento em Cabo Verde, estabelecendo a respectiva relação com a política nacional de redução da pobreza e o crescimento económico do país.

O referido conselho é constituído pelo membro do Governo responsável pelos sectores da Água e Saneamento e pelos representantes dos membros do Governo responsáveis pelas Finanças, Planeamento, Agricultura, Energia, Economia, Mar, Saúde e Infra-estruturas.

Os presidentes da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde (ANMCV), da Agência de Regulação Económica (ARE), das câmaras de Comércio, da Câmara de Turismo, da Plataforma das ONG, entre outros, também fazem parte do conselho.

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