Governo pondera criação de legislação que promova sistema de irrigação gota-a-gota – ministro da Agricultura

Cidade da Praia, 29 Mai (Inforpress) – O Governo está a ponderar criar legislação que promova a irrigação gota-a-gota, que neste momento cobre 27% dos terrenos agrícolas em Cabo Verde, anunciou hoje o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva.

O ministro fez este anúncio em declarações aos jornalistas hoje na Cidade da Praia, ao ser questionado à margem do workshop de validação do projecto de “Avaliação Inicial da Convenção de Minamata sobre o Mercúrio em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe”, sobre a situação da barragem de Poilão, no interior da ilha de Santiago.

De acordo com o ministro, o desassoreamento total da barragem custa cerca de 115 mil contos, recursos que Cabo Verde não tem, mas está no processo de os mobilizar. Contudo, informou que o Governo deseja levar a cabo alguma intervenção, por exemplo, desassorear a saída da descarga de fundo da barragem para remediar a situação.

Conforme explicou o governante, a barragem é um dispositivo de armazenamento de água de chuvas e “se não houver chuvas, não pode ter água por armazenar”, sendo que a estratégia deve ser de melhor gerir o líquido e criar todas as condições para que o agricultor possa dispor melhor da água existente.

“O Governo vai criar uma legislação que promova a irrigação gota-a-gota, vamos ter que promover instrumentos financeiros para ajudar os agricultores, não pela via de doação, mas de crédito agrícolas com algumas vantagens”, anunciou, lembrando que “Cabo Verde é ainda um país em que a utilização do sistema de irrigação gosta-a-gota está a nível dos seus 27%”.

Neste sentido, Gilberto Silva perspectivou que o Governo terá que trabalhar muito nos próximos anos para que todos possam implementar esse sistema de rega que é “muito mais eficaz e poupa água”, introduzido em Cabo Verde no início dos anos 90 com um “pulo muito grande, mas que depois houve alguma estagnação”.

Gilberto Silva considerou que é fundamental que o país venha a precisar também de uma estratégia que priorize o uso da água para produtos que não só podem dar mais rendimento às famílias, mas sobretudo que contribuam para uma melhor segurança alimentar e nutricional no país.

“Estamos a falar de algo que tem a ver com a organização da nossa actividade económica, por isso, pensamos que em vez de estarmos permanentemente a alarmarmos com a situação da seca, a estratégia passa por uma boa gestão de água”, disse, lembrando que “em 30 anos da série pluviométrica, 21 anos foram anos de alguma seca”.

DR/FP

Inforpress/Fim