Governo já iniciou o processo de preparação do novo ano agrícola – ministro da Agricultura

Cidade da Praia, 14 Jun (Inforpress) – A preparação do ano agrícola já está em curso, garantiu hoje na Cidade da Praia o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, que destacou a necessidade de o país adoptar políticas de resiliência para o sector.

Gilberto Silva avançou esta informação em declarações à imprensa à margem de uma visita efectuada hoje aos silos no porto da Praia e outros armazéns privados, no âmbito da preparação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional que acontece esta sexta-feira, 15, na capital do país.

“A preparação do ano agrícola está em curso, já estamos a trabalhar nisso há muito tempo, mas só no fim, com o documento elaborado, discutido e aprovado, é que iremos divulgar”, afirmou o ministro, esclarecendo que “em relação à previsão pluviométrica, já há exercícios probabilísticos e trabalhos técnicos que também não convém divulgar neste momento”.

Entretanto, o governante observou que o Ministério da Agricultura e Ambiente vai avaliar toda a previsão que está sendo feita e preparar o novo ano agrícola em função dos referidos dados, sem esquecer que “há necessidade de adopção de políticas de resiliência” que visam fazer uma melhor gestão do sector, sobretudo em caso de seca.

Sublinhou ainda que no último ano, o país registou seca que resultou em um mau ano agrícola e uma produção quase nula a nível nacional, fazendo com que muitos agricultores não tenham sementes para a campanha agrícola que se aproxima. Para colmatar a situação, a Direcção-Geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária (DGASP) tem em curso um conjunto de acções.

Em relação à disponibilização de sementes, neste momento está a fazer-se um diagnóstico sobre a disponibilidade de sementes de sequeiro junto dos agricultores das diferentes ilhas, para que depois do teste de germinação sejam adquiridas e distribuídas aos agricultores mais vulneráveis que se dedicam à agricultura pluvial.

Desta forma, a identificação dos beneficiários será feita pelas delegações do Ministério da Agricultura e Ambiente, em colaboração com os parceiros locais, nomeadamente as câmaras municipais e as associações comunitárias, sendo que a previsão é de uma cobertura de cerca de 22% da área pluvial.

A Inforpress apurou, entretanto, que as recomendações técnicas aconselham que, na aquisição das sementes sejam privilegiados os ecótipos locais, em vez de se recorrer ao exterior, e por isso os fornecedores serão agricultores locais que ainda dispõem de sementes da campanha agrícola 2016/17.

Na área fitossanitária a DGASP vai comprar pesticidas para disponibilizar às referidas delegações que, por sua vez, devem apoiar os agricultores no combate das habituais pragas, como gafanhoto, percevejo verde, mil-pés e, sobretudo, a lagarta de cartucho, uma nova praga da cultura do milho que apareceu pela primeira vez no país em 2017.

DR/FP

Inforpress/Fim