Governo garante que o projecto “Cidade Segura” vai chegar às ilhas de S. Vicente, Sal e Boa Vista

Cidade da Praia, 14 Nov (Inforpress) – O ministro da Administração Interna garantiu hoje que o projecto Cidade Segura vai chegar às ilhas de S. Vicente, Sal e Boa Vista e que estão a decorrer os trabalhos nesse sentido, mas não precisou uma data concreta.

Paulo Rocha deu esta garantia no debate ocorrido no Parlamento, agendado a pedido do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD-poder), em que a segurança esteve no centro das atenções.

Na ocasião, o governante indicou, por outro lado, que até ao final deste mês o diploma referente  ao estatuto dos bombeiros vai ser levado ao Conselho de Ministros para seu posterior encaminhamento ao Parlamento para discussão e aprovação.

“É um compromisso que assumimos, estamos empenhados e vamos cumpri-lo”, afirmou Paulo Rocha, referindo-se ao estatuto dos chamados soldados da paz.

No calor do debate, veio à tona a greve dos policiais em que dirigentes do Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol) foram punidos, tendo o seu líder José Barbosa sido reformado compulsivamente e o ministro da Administração Interna explicou que a “punição disciplinar” tem a ver com “manifestações ilegais”, assim como o não cumprimento da lei relativa às armas.

Esclareceu, ainda, que as sanções ficaram a dever-se também a “ofensas e palavras dirigidas a colegas de profissão, a jornalistas e a órgãos de comunicação social”.

No caso dos policiais de S. Vicente que, segundo o deputado António Monteiro, da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição), durante a manifestação se comportaram de acordo com a lei, mas “foram punidos”, o governante esclareceu que as punições foram de acordo com o que “consta dos processos” e que os visados tiveram a “oportunidade de se defenderem”.

O ministro deixou transparecer que, no concernente, às armas os manifestantes no Mindelo também não respeitaram o que a lei estipula em relação a esta matéria.

“As manifestações armadas ferem gravemente as leis da República”, precisou Paulo Rocha.

O desaparecimento de crianças em Cabo Verde foi também trazido à liça pelos deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) para demonstrarem que a segurança “não vai bem” no país.

Na perspectiva do PAICV, o desaparecimento de crianças no país está a cair no esquecimento, com as autoridades a “não falarem sobre este assunto”.

Para o ministro da Administração Interna, estes acontecimentos continuarão a ser investigados para que sejam “esclarecidos”.

“Não vale a pena fazer exploração gratuita desta questão, porque as pessoas bem compreendem onde anda a intenção”, advertiu o governante.

Para o líder da bancada parlamentar do PAICV, Rui Semedo, a problemática do desaparecimento de crianças não deve ser considerada uma “exploração gratuita”.

“Os cabo-verdianos continuam preocupados e os deputados são a voz dos cabo-verdianos”, enfatizou Semedo, acrescentando que o povo quer resposta sobre os casos de desaparecimento de pessoas.

Neste momento, ao todo, encontram-se desaparecidas quatro pessoas, sendo três crianças e uma adulta.

Entretanto o caso da Edvânea Gonçalves, que também estava desaparecida, segundo a Polícia Judiciária (PJ) ficou esclarecido, quando se confirmou que as ossadas encontradas na localidade de Ponta Bicuda, Praia, pertenciam à criança de Eugénio Lima, desaparecida em Novembro de 2017.

LC/ZS

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