Governo Cabo Verde quer aumentar número de médicos especialistas com formações no país

Cidade da Praia, 17 Jan (Inforpress) – O Governo quer apostar na especialização interna de médicos como forma de aumentar o número de especialistas em Cabo Verde e, para tal quer a parceria da Ordem dos Médicos para a definição das áreas de interesse de formação.

Esta intenção foi apresentada hoje pelo ministro da Saúde e da Segurança Social, Arlindo do Rosário, na abertura do III congresso internacional da Ordem dos Médicos Cabo-verdianos (OMC) e VIII congresso médico nacional, que decorre na Cidade da Praia, sob o lema “Um legado, novas oportunidades”.

Segundo Arlindo Rosário, a especialização interna pode ser uma das estratégias para fazer face às dificuldades seja na obtenção de vagas para formação no exterior, seja na capacidade interna do Sistema Nacional de Saúde (SNS) para dispensar os médicos para formação e garantir a continuidade dos serviços prestados, evitando rupturas no funcionamento dos mesmos.

“O Ministério da Saúde, nesta matéria, tem feito uma gestão crítica, considerando todas as possibilidades ao seu alcance e a formação especializada é também uma área onde o ministério pretende considerar outras estratégias, tendo em conta a escassez de vagas, as áreas de interesse prioritárias de formação e a garantia da continuidade dos serviços”, disse.

“Algumas áreas terão que ser definidas como de formação interna no país e serem devidamente valorizadas”, disse adiantou que o Governo conta com a disponibilidade técnica da OMC para definição destas áreas de formação especializada interna no arquipélago.

Neste particular, Arlindo do Rosário lembrou do protocolo assinado esta terça-feira, 16, na Cidade da Praia, com o Ministério de Saúde de Portugal para a formação em Medicina Geral e Familiar.

“Estas formações que são importantes para garantir mais qualidade no processo de prestação de cuidados, deverão ter efeitos positivos na carreira do médico”, salientou.

Arlindo do Rosário frisou que Cabo Verde aspira um sector de saúde que não seja apenas o guardião da saúde dos cabo-verdianos, mas que seja também um sector competitivo e gerador de emprego e riqueza nacional.

Acrescentou que o executivo está a fazer tudo para tornar Cabo Verde uma economia de circulação no Atlântico médio, criando condições legais e oportunidades para a existência de uma plataforma de investimento e desenvolvimento.

“O SNS deve se organizar da melhor forma possível e aproveitar estas oportunidades, para que deixe de ser apenas um recipiente de recursos e passe a gerar activamente recursos directos para o desenvolvimento do país.

Neste particular, frisou que para além da aposta na formação, o Governo está a tomar medidas de fundo em outras áreas, nomeadamente em matéria de regulação do sector da saúde, criando uma agência de regulação da saúde e reformando o sector dos seguros e planos de saúde bem como a promoção de investimentos externos e nacional.

A abertura do congresso da Ordem dos Médicos Cabo-verdianos foi presidida pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que chamou a atenção para a necessidade de, também na área da saúde, se combater a assimetrias regionais.

“Não se pretende, naturalmente, ter hospitais centrais e especialistas em todas as ilhas e concelhos, mas de encontrar uma forma que permita a todo cabo-verdiano beneficiar muito mais de um sistema de saúde que é de todos. Creio que também no domínio da saúde devemos e podemos ter a ambição de estarmos entre os melhores”, sublinhou o chefe de Estado.

Durante três dias médicos cabo-verdianos vão debater vários temas relacionados com o sector da saúde. “Transição e Globalização”, Factores de Risco para doenças cardiovasculares em Cabo Verde”, “Ética no Século XXI”, “Cooperação Internacional e formação especializada” são temas de alguns painéis que compõem o programa.

MJB/CP

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