Governador do BCV defende que não vale a pena a adesão de Cabo Verde à moeda única da CEDEAO (c/áudio)

Cidade da Praia, 14 Set (Inforpress) – O Governador do Banco de Cabo Verde (BCV) afirmou hoje que a adesão de Cabo Verde à moeda Única da CEDEAO não valerá a pena face aos benefícios que o país tem com regime fixo face ao euro.

João Serra, que falava aos jornalistas depois da abertura da Conferência Internacional comemorativa dos 20 anos da assinatura do Acordo de Cooperação Cambial entre Portugal e Cabo Verde, salientou por isso que o arquipélago não tem vantagem em alterar o seu regime cambial.

“Eu acho que tendo Cabo Verde uma moeda credível, que cumpre com as funções fundamentais de uma moeda, reserva de valor, meio de troca, sendo uma moeda credível que inspira confiança e permitiu ao país dar o salto que deu não precisa alterar o regime cambial”, argumentou.

Por outro lado, salientou que tendo em conta as características da economia cabo-verdiana, virada quase que exclusivamente para a Europa, o país não terá também vantagem com a sua adesão à moeda única africana.

“90% das nossas importações vem da Europa, 90 das nossas exportações vai para a Europa e 90% das nossas remessas dos emigrantes vem da europa, 90 dos investimentos externos vem da Europa pelo que Cabo Verde não tem vantagens, pelo menos a curto e médio prazo em alterar o seu regime cambial, ou seja o peg fixo do escudo face ao euro”, explicou.

“Nós quase não temos relacões económicas com a África: quer com a CEDEAO e quer com a África no seu todo. Portanto nós defendemos que do ponto de vista técnico, que a adesão de Cabo Verde à moeda única da CEDEAO não vale a pena, não trará benefícios que eventualmente pudessem suplantar os benefícios que temos agora com o regime fixo face ao euro” precisou.

João Serra esclareceu também que a eurorização da moeda cabo-verdiana, isto é a substituição do escudo cabo-verdiano pelo Euro é também uma questão que não está sobre a mesa.

“O que está a acontecer é a circulação em paralelo do escudo cabo-verdiano com outras moedas, desde que sejam aceites. De modo que não é o mesmo que a eurorização que é quando o Estado abdica da sua própria moeda e adopta a moeda de um outro país”, sustentou indicando que com a aprovação da lei da liberalização de movimento de capitais, a dupla circulação informal deixou de ser um ilícito contraordenacional.

Segundo explicou, nessa conferência comemorativa dos 20 anos da assinatura do Acordo de Cooperação Cambial estão a discutir aspectos relacionados com o aperfeiçoamento e aprofundamento do regime cambial em Cabo Verde.

“Estamos nisso, é um processo que envolve também a parte portuguesa, o Banco de Portugal e Governo português. Está-se a negociar para se ver a melhor via de aprofundarmos e continuarmos com o acordo que temos actualmente”, adiantou, fazendo um “balanço positivo” da execução do acordo durante os 20 anos.

MJB/ZS

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