Frescomar em vias de inaugurar fábrica de farinha de peixe em investimento avaliado em 2,5 milhões de euros

 

Mindelo, 22 Dez (Inforpress) – A conserveira Frescomar prepara-se para inaugurar, no início de 2018, uma nova unidade de produção de farinha de peixe, destinada à exportação para a União Europeia (UE), num investimento que deve rondar os 2,5 milhões de euros.

Em declarações exclusivas à agência Inforpress, no Mindelo, o adjunto do presidente do conselho de administração da Frescomar e director de qualidade da empresa sediada em São Vicente, Manuel Monteiro, explicou que, apesar de a unidade se encontrar licenciada para funcionar, e com testes avaliados “100 por cento competentes pela autoridade nacional”, a inauguração só deve ocorrer após a obtenção da licença para exportação para a UE.

“Podemos dizer que ainda não inauguramos oficialmente a fábrica porque estamos a aguardar essa licença”, reforçou a mesma fonte pois, sintetizou, os testes já foram efectuados e a unidade funciona “em pleno”.

A fábrica inicialmente foi avaliada para um custo de 1,5 milhões de euros, segundo a mesma fonte, mas o montante deve alcançar os 2,5 milhões de euros devido, explicou, ao cumprimento de “todos os requisitos e normas” a nível internacional.

Para tal, avançou, foi necessário investir principalmente na emissão de gases, “pois há que evitar maus odores na emissão de gases”, e do tratamento de águas residuais e ambientais, e, assim, “garantir a qualidade” para exportar para a União Europeia.

“Hoje, uma fábrica de farinha de peixe suscita mais exigências do que uma fábrica alimentar, pois vai alimentar animais para depois alimentar pessoas”, lembrou Manuel Monteiro, sendo certo, pontificou, que a União Europeia deposita “muita atenção” nesse tipo de fábricas devido, sobretudo, “aos inúmeros problemas” surgidos na decorrência de doenças como vacas loucas e outras.

Com uma capacidade estimada de produção de 50 toneladas/dia, o responsável diz-se consciente, no entanto, de que, por enquanto, não há matéria-prima suficiente para abastecer essa capacidade instalada na nova fábrica.

“Podemos dizer que hoje temos uma fábrica nacional de produção de farinha de peixe com capacidade superior para suportar todo o subproduto gerado quer na Frescomar, como também na Cova de Inglesa e na Nova Plataforma de Frio”, concretizou o responsável pela qualidade da Frescomar, para quem esse “passo antecipado no futuro” é uma forma de “caminhar antevendo os problemas”.

A fábrica, totalmente automatizada, que ocupa uma área total de 11 mil metros quadrados, deve, ainda assim, empregar inicialmente cerca de 40 pessoas e vai “na linha dos compromissos” que a Frescomar assumiu com o Governo de Cabo Verde, desde a assinatura da convenção de estabelecimento da unidade fabril, em 2008.

Nessa altura ficou consagrado que um dos requisitos que a Frescomar tinha que cumprir era tratar os resíduos que iria produzir, ou seja, transformar o subproduto em farinha de peixe, o que “está concretizado”.

Questionado sobre a parceria que a Frescomar vinha mantendo com uma fábrica de ração, também sediada em São Vicente, e que já laborava no mercado, Manuel Monteiro escusou-se a avançar detalhes por, conforme disse, existir actualmente um litígio entre as partes, em resolução em instâncias próprias.

Contudo, avançou que havia “uma exclusividade que foi rompida”, mas que a Frescomar sempre no seu relacionamento com aquela unidade deixou claro que não ia intervir no mercado nacional.

“Estamos em litígio, mas não vamos sufocar o mercado, o nosso mercado principal é o de exportação, é a União Europeia”, concluiu o adjunto do presidente do conselho de administração da Frescomar.

A Frescomar, a maior exportadora do país, é uma sociedade anónima cabo-verdiano-espanhola que obteve certificado de empresa franca em Abril de 1997 para se dedicar à prática de transformação do pescado e sua comercialização, tendo a Europa como principal mercado.

Actualmente, “apesar de 2017 não ter sido tão favorável” à pesca nacional como em outros anos, estão empregados na unidade do Lazareto 1.300 pessoas, ou seja, um aumento de 1.100 para 1.300 empregos este ano.

AA/JMV

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