Fórum WASAG: Gestor de projectos da FAO propõe envolvimento das populações na criação de florestas inteligentes (c/áudio)

Cidade da Praia, 20 Mar (Inforpress) – O gestor de projectos da FAO e responsável pelo projecto REFLOR-CV defendeu hoje, durante o primeiro Fórum Internacional do WASAG sobre a Escassez de Água na Agricultura, o envolvimento das populações na criação de florestas inteligentes.

José Ferreira de Castro, gestor de projectos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) falava no painel sobre “Abordagens e tecnologias para a utilização da água para sistemas de cultivo sustentáveis: experiências de campo da África Ocidental.

Segundo este responsável uma floresta inteligente é, de facto, uma ciência florestal que implicas as espécies endémicas, sistemas de produção florestal, que tem rotações e explorações um pouco mais alargadas, e é também a moderna gestão florestal com o envolvimento das populações.

E é isso, sublinhou, a propósito do projecto REFLOR-CV que tem como objectivo consciencializar as populações e as comunidades rurais que vivem mais próximas das florestas para que, tratando bem essa floresta, “tenham melhores resultados na agricultura” e também “prestam um grande serviço à comunidade e à sociedade em geral pelo facto de promoverem a optimização da recolha da água das chuvas”.

Conforme José Ferreira de Castro a maior parte das comunidades, representadas pelas suas organizações, tem abraçado o projecto “com muita vontade” que arrancou em Julho de 2017 nas ilhas do Fogo, Boa Vista e Santiago.

“É um desfio para elas porque não pagamos propriamente pelo trabalho, o que agente retribui é precisamente os serviços que eles prestam em termos de gestão florestal. Portanto estão a aprender os custos do trabalho e como é que se faz a gestão florestal”, explicou o técnico para quem com isso as pessoas podem perceber que para que a gestão seja eficiente é preciso que elas próprias produzem as plantas para plantar nas florestas.

José Ferreira de Castro também sublinhou que hoje em dia em Cabo Verde deve-se falar em eventos de chuva mais do que estacões de chuva. Isto, explicou, é consequência das alterações climáticas que têm vindo a “desviar o curso normal das chuvas no país”, fazendo com que passam “com menos regularidade” ou chegam de forma “violenta e em espécie de tempestades ou de furacões”.

“Num processo de adaptação das alterações climáticas é cada vez contarem menos com estacões de chuva, mas estarmos todos preparados para eventos de chuva para que sendo bem previsto, portanto um sistema de alerta precoce que seja eficiente, alertar as populações para usar o máximo esses eventos”, sentenciou José Ferreira de Castro defendendo que através dessa adaptação se pode conseguir “optimizar a floresta e mitigar o impacto das alterações climáticas”.

O projecto REFLOR-CV evolve cerca de mil pessoas entre os membros e pessoas que trabalham na reflorestação e 14 associações representantes de comunidades rurais nas quais habitam à volta de 10 mil habitantes. Está a ser implementado em cinco comunidades da ilha do Fogo, uma na Boa Vista e nove na ilha de Santiago.

CD /FP

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