Fórum recomenda participação das mulheres nas tomadas de decisão de política e regulamentação no sector marítimo

Mindelo, 17 Abr (Inforpress) – A Rede das Mulheres Profissionais Marítimas e Portuárias da África Ocidental e Central recomendou hoje, no Mindelo,  a necessidade da participação das mulheres “em todas as tomadas de decisão” relacionadas com a política e regulamentação no sector marítimo.

Ao apresentar as recomendações do seminário internacional da rede, que a ilha de São Vicente acolheu durante três dias, a administradora da Enapor – Portos de Cabo Verde, Eugénia Soares, lembrou que, de entre outros aspectos, o fórum recomendou ainda a necessidade de empoderar as mulheres em vários domínios por forma a que elas possam exercer as suas actividades profissionais em pé de igualdade com os homens.

A mesma fonte referiu que uma conclusão do encontro vai no sentido de se continuar a fomentar a troca de experiências entre os portos, tendente a um “desenvolvimento sustentável” do sector marítimo/portuário, tendo a mulher como “parte integrante do sistema”.

O encerramento do seminário, que decorreu sob o lema “Mulheres nos portos da África do Oeste e Central para a integração económica”, tendo como tema principal os portos da África do Oeste e Central e os países sem litoral, que relações para o desenvolvimento de África, foi protagonizado pelo ministro José Gonçalves.

O titular da pasta da Economia Marítima, na ocasião, disse que eventos internacionais do tipo mostram que o Governo “está a virar cada vez mais a sua atenção para São Vicente”, o “palco central” de tudo o que é economia marítima e Economia Azul, onde se concentra o Ministério da Economia Marítima, para se ter o “grande foco” virado para a plataforma marítima que se quer fazer de São Vicente e de Cabo Verde no Atlântico Médio.

“Hoje é evidente que em Cabo Verde temos dado bastante atenção à questão do equilíbrio de género e as mulheres já estão em posição de liderança em várias áreas”, acrescentou o governante, para quem o sector portuário com liderança das mulheres “está em boas mãos”, apesar de haver ainda “muito a fazer”.

José Gonçalves mostrou-se, no entanto, “convencido” de que, com a criação futura do Campus do Mar em São Vicente, haverá “uma nova dinâmica” na formação superior, média e técnica na investigação, e “mais mulheres em posições de destaque”.

Contudo, deixou a ideia de que o Ministério da Educação deve “jogar um papel importante” no sentido de, desde os bancos de escola, em tenra idade, mostrar e sensibilizar as crianças que a literacia do mar é uma área que está também aberta às mulheres, até porque, nomeou, no sector da Economia Marítima, em Cabo Verde, os postos-chave são liderados por mulheres.

Por fim, José Gonçalves garantiu “apoio e carinho” à proposta, saída do seminário, da criação da Rede Cabo-verdiana das Mulheres Marítimas/Portuárias.

Durante três dias, com efeito, representantes da Rede das Mulheres Profissionais Marítimas e Portuárias da África Ocidental e Central discutiram, no Mindelo, políticas que ajudam os respectivos portos a promoverem o desenvolvimento do continente.

O debate integrou temas como “O estado do comércio internacional na África Ocidental e Central”, “A relação entre portos e países sem litoral” e “A mulher no sector marítimo e conciliação entre vida familiar e laboral”, entre outros.

O encontro do Mindelo foi ainda espaço para a realização da assembleia-geral da Rede das Mulheres Profissionais Marítimas e Portuárias da África Ocidental e Central (RMPMP-AOC), enquadrada na sessão de trabalho da conferência.

AA/ZS

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