Fórum Internacional WASAG: Docente da Uni-CV defende aumento do uso da água residual, mas sem esquecer a qualidade (c/áudio)

Cidade da Praia, 21 Mar (Inforpress) – A docente da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) Maria dos Anjos Lopes defendeu hoje durante o Fórum Internacional do WASAG sobre escassez de água na agricultura o aumento do uso da água residual, mas sem esquecer a qualidade.

A investigadora e mestre em Química falava no painel sobre “água na relação com os alimentos na agricultura: oportunidades, desafios e perspectivas para o desenvolvimento futuro”, que fazia parte do debate sobre “A utilização de água numa agricultura sustentável”.

“Nós temos de pensar na demanda da água sem deixar também a parte de segurança alimentar e da saúde pública. Defendo sempre e ando a defender que nós devemos pensar mais como usar a água residual num todo. Ou seja, a quantidade, a qualidade e a segurança alimentar” destacou a Maria dos Anjos Lopes.

Falando em entrevista à Inforpress, a docente da Uni-CV afirmou que as Estações de Tratamento de Água Residuais não estão apetrechadas tecnicamente, mecanicamente ou instrumentalmente, que deem garantias de uma boa qualidade da água para o uso agrícola para alimento. Isto porque, sublinhou, há estações que reutilizem a água e os agricultores usam essa água na rega dos produtos sem ter uma noção dos paramentos da qualidade da água residual para o uso agrícola.

“Eu estou a dizer isso porque nas minhas investigações eu ando sempre perto de alguns agricultores a perguntar se sabem quais são os parâmetros de qualidade. Respondem, minha senhora, eu tenho água, preciso de produzir e uso água”, explicou.

Por causa disso, a investigadora sustenta a necessidade de se melhorar a eficiência de tratamento, porque “além de um tratamento secundário”, é preciso um tratamento terciário ou um tratamento de alto ‘standing’ para eliminar os microrganismos” todos para que ela possa ser usada na agricultura.

“Somente um tratamento secundário não dá garantias com parâmetros de qualidade aceitável para o uso agrícola”, justificou acrescentando que tem que se pensar que tipo de produtos que estamos a utilizar para produzir, que tipo de produto e que tipo de água.

Instada sobre o caso noticiado pela Inforpress de pessoas que fazem hortas particulares irrigadas com águas residuais, Maria dos Anjos Lopes sentenciou que tal pratica é um atentado à saúde pública e que é preciso mais fiscalização, mais formação e informação para evitar essa pártica.

Alguém disse de manhã que a água é fonte da vida, mas usar uma água de má qualidade, é um veículo de morte e de atentado à saúde pública. Temos que pensar na qualidade da água residual que estão a utilizar nos produtos alimentares”, acrescentou destacando o exemplo de boas práticas na reutilização de água na ilha da Boa Vista feita pela Água e Energia da Boa Vista(AEB) que faz tratamento das águas residuais dos hotéis para irrigar áreas verdes.

“A Água e Energias da Boa Vista faz um trabalho espectacular na captura de água. Os hotéis dividem a água, em água cinza e em água negra. A negra passa pela estação da AEB e lá fazem um trabalho de tratamento e vendem essa água outra vez para os hotéis para a irrigação da área verde”, clarificou.

CD/CP

Inforpress/Fim