Fogo: População de Chã queixa-se de penúria de água e do “descaso das autoridades” em minimizar a situação – Miguel Montrond

 

São Filipe, 19 Jun (Inforpress) – A população de Chã das Caldeiras, que neste momento ultrapassa as sete centenas de pessoas, queixa-se de penúria de água para o consumo humano e do “descaso das autoridades” locais e nacionais em resolver o problema de abastecimento de água.

Miguel Montrond, que há vários meses tem funcionado como porta-voz da população, em conversa com a Inforpress disse que as pessoas que retornaram à Caldeira vêm sofrendo problemas de falta de água, já que as lavas da ultima erupção vulcânica destruíram quase todas as cisternas familiares que captavam água das chuvas.

As cisternas familiares eram os únicos meios de armazenamento de água, tanto para o consumo diário como para as outras actividades do dia-a-dia das famílias que regressaram para Chã das Caldeiras, a fim de reformar as suas vidas, adiantou o porta-voz da população das Caldeiras .

Segundo Miguel Montrond, os Governos vêm falhando quanto ao realojamento dos deslocados, facto que contribuiu, na sua opinião, para que muitas famílias voltassem a Caldeira e construírem as suas casas, observando que com o aumento da população, houve também uma maior procura da água para satisfazer as suas necessidades.

“A população tem estado a reivindicar junto das autoridades mais água para a satisfação das necessidades, mas as autoridades têm estado a falhar em todos os aspectos, inclusive, no que toca ao abastecimento de água para a população de Chã, que ronda 700 a 900 pessoas”, disse, Montrond, adiantando que a “situação é bem dolorosa e algumas famílias pagam 60 escudos por um balde de água”.

Os quatro recipientes colocados na Caldeira para armazenar água para ser vendida à população, segundo o porta-voz da população, encontram-se sempre vazios e muitas vezes as famílias levam água de outras localidades para Chã das Caldeiras, mas nem todas conseguem faze-la, porque não dispõem de recursos para pagar o transporte que é muito caro.

“A população merece respeito dos que governam. Estamos num país democrático e exigimos respeito”, disse o representante da população, acrescentando que “com os milhões no cofre, (cerca de 500 mil contos) no final do ano de 2016, ainda a população carece de meios para ter uma refeição”, uma vez que muitas famílias ficaram sem casa e sem terreno em Chã das Caldeiras, o que dificulta o reinício da vida.

“Com treze messes de governação do MpD, o processo “Chã das Caldeiras” ficou bem mais complicado de gerir, por culpa dos que governam e que não tomam medidas eficazes para resolver a penúria e sofrimento da população de Chã”, advoga Miguel Montrond,

Para Montrond, a única coisa que separa os dois governos (PAICV e MpD) neste processo de Chã das Caldeiras é o tempo.

Segundo explica, o PAICV em 14 messes fez contrato escandaloso com duas empresas para reabilitação das 107 casas em Monte Grande e Achada Furna, distribuição de cestas básicas, alguns projectos executados, pagamento de água, luz, renda durante 11 messes.

Por sua vez, sublinhou, com o” actual governo do MpD, as coisas parecem muito piores do que a população imaginava”, pois em “13 messe fizeram apenas a adega provisória, garantiram subsídios monetário durante seis messes, e as outras promessas nunca chegaram à concretização”.

No mês de Março, explica, o actual presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina afirmou que iria dar um apoio de 200 mil escudos a cada família para iniciar as actividades geradoras de rendimento, mas tal ainda não se concretizou.

Segundo Miguel Montrond, a população pergunta o destino de 24 mil contos que estão na posse da Cruz Vermelha de Cabo Verde, dos cerca de três mil contos na posse da RTC e se “estes valores foram transferidos para acudir os problemas da população”.

Montrond classificou de “palhaçada” a gestão do processo de Chã das Caldeiras pelas Câmaras, uma vez que nem as autarquias nem a

“Comissão interministerial” que ainda funciona conseguem resolver estes problemas porque, na sua opinião, não tem autonomia para tal.

“Exigimos respeito para com a população de Chã, caso contrário poderão ter surpresas se não cumprirem o prometido”, afirma Miguel Montrond.

JR/JMV

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