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Fogo: Mais de duas centenas de estudantes de “Teixeira de Sousa” abandonaram o sistema até final do segundo trimestre

 

São Filipe, 11 Jun (Inforpress) – Mais de duas centenas de estudantes da escola secundária Dr. Teixeira de Sousa, abandonaram o sistema até final do segundo trimestre mas o número de abandono configura, para alguns docentes, como o maior de sempre neste estabelecimento de ensino.

Emanuel Correia Barbosa, director da escola Dr. Teixeira de Sousa em São Filipe, face a esta situação, disse à Inforpress que a taxa de abandono escolar, nos últimos três anos lectivos, oscilou de 12,5 por cento (%) a 17 por cento (%) e que a deste ano está dentro deste parâmetro.

No ano lectivo 2016/17 que está prestes a terminar a escola iniciou com um total de 1439 alunos e no final do primeiro trimestre foram avaliados 1304 alunos, menos 135, o que corresponde a uma taxa de abandono de 9,4%.

Já no final do segundo trimestre foram avaliados 1231 alunos, menos 208, elevando-se a taxa de abandono escolar para 14,5%, disse Emanuel Correia Barbosa, indicando que isso é demonstrativo que a escola não tem a maior taxa de abandono de sempre, observando que ela é maior no primeiro ciclo, 7º e 8º anos de escolaridade.

Os dados disponibilizados por alguns docentes indicam que com o somatório do abandono do terceiro trimestre a taxa de abandono poderá superar os 17% registados no ano lectivo 2015/16.

Questionado sobre as principais causas do abandono, o director da escola disse que poderá estar relacionado com a grande onda migratória registado neste concelho, fraco envolvimento dos pais e encarregados de educação na vida escolar dos seus educandos e falta de interesse e motivação por parte dos alunos.

“Uma boa parte dos alunos que contabilizamos como abandono, realmente não abandonaram, tendo em conta que emigraram sobretudo para os Estados Unidos da América (EUA) e continuam os seus estudos”, disse Emanuel Correia Barbosa.

Este que assumiu a direcção da escola no início do ano lectivo 2016/17, disse que a escola tem alguns desafios pela frente e a vários níveis, destacando a reabilitação total da infra-estrutura, que segundo o mesmo, “é urgente”, o combate ao abandono escolar, através de um conjunto de estratégias como a aproximação dos pais e encarregados de educação à escola, melhoria das condições das aulas, elaboração de projectos educativos no sentido de orientar os alunos nas diferentes áreas de estudos e incentivos aos alunos quadros de honra.

A elaboração de projecto para apoiar os alunos carenciados com lanche escolar, reestruturar o espaço de informação o orientação (EIO) da escola, renovação dos processos de matrículas com base no SIGE, são outros desafios.

Com relação à aproximação dos pais, este indica que para o próximo ano lectivo cada pai e encarregado de educação terá um código para que possam ter acesso a todas as informações dos seus educandos, através do “porton di nos ilha”, e quanto a incentivos aos alunos quadros de honra versam dar continuidade à política implementada neste ano lectivo que é deisentar propinas a todos os alunos com média igual ou superior a 18 valores.

 

 

Com o novo desenho da rede escolar, no próximo ano lectivo a escola Teixeira de Sousa passa a funcionar com alunos do segundo e terceiro ciclos, isto é do 9º ao 12º ano, sendo que o primeiro ciclo, 7º e 8º anos vão passar a integrar o Ensino Básico Integrado (EBI), conforme a lei de base do sistema educativo.

Relativamente a casos de gravidez, a situação não é “preocupante” como em outros estabelecimentos de ensino secundário, sendo que neste ano lectivo a escola registou quatro casos de alunas grávidas, duas das quais anularam a matrícula.

A escola, segundo o seu director, tomou um conjunto de medidas para prevenir a situação da gravidez precoce, tais como a realização de palestras e sessões, conduzidas pelos médicos e enfermeiros do centro de saúde reprodutiva de São Filipe, acções que visam aconselhar os alunos sobre a gravidez precoce e prevenção de IST.

Igualmente a escola dispõe de um espaço de informação e orientação coordenado por uma professora/psicóloga que trabalha com essas alunas no sentido de dar uma orientação e acompanhamento na escola.

Em termos de projecto, no final deste mês de Junho vai-se iniciar as obras de reabilitação das casas de banho do bloco meio, orçado em cerca de 900 contos, financiado pela Bornefonden, sendo que o contrato já foi celebrado com a empresa local STC – Construções.

Com relação ao anexo oficina, um edifício antigo que carece de algumas intervenções, a direcção da escola, elaborou, em concertação com o Ministério da Educação, um projecto de reabilitação do espaço, estando neste momento à procura de financiamento, tendo em conta que no próximo ano lectivo provavelmente vai receber os alunos do terceiro ciclo do EBI (7º e 8º ano).

JR/ZS

Inforpress/Fim