Inicio Cooperação Fogo: Investigadores portugueses analisam impactos causados na população pela última erupção vulcânica

Fogo: Investigadores portugueses analisam impactos causados na população pela última erupção vulcânica

São Filipe, 23 Jan (Inforpress) – Um grupo de investigadores de várias universidades portuguesas, entre as quais de Aveiro e de Beira Interior, está a implementar um projecto multidisciplinar envolvendo várias áreas para analisar os impactos da última erupção vulcânica na população da ilha do Fogo.

Carla Candeias, investigadora do Departamento de Geociências e da Unidade Geobiociências, Geoengenharias e Geotecnologias (GEOBIOTEC) da Universidade de Aveiro, que se encontrava em missão na ilha do Fogo, disse à Inforpress que, na sequência da erupção vulcânica de 2014, a equipa que monitorizou a erupção, candidatou com um projecto multidisciplinar que foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e que está sendo executado.

O projecto tem várias áreas que estão sendo implementadas em parceria com várias instituições cabo-verdianas como a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), Instituto Nacional de Gestão de Território (INGT), Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG).

Indicou que a parte dela está relacionada com o impacto do vulcão na saúde das populações, enquanto as outras equipas estão a trabalhar outras áreas para se aperceber a dinâmica do vulcão, o tipo de movimento para tentar entender melhor o que está a passar em relação ao vulcão.

Em Novembro do ano passado realizou uma campanha de amostragem e a última missão foi a recolha das amostras que vão ser analisadas, sendo que os resultados serão depois restituídos às autoridades competentes de Cabo Verde, indicou.

A investigadora da Universidade de Aveiro especificou que trabalha com poeiras, com plantas que as pessoas consomem e com os solos, porque as poeiras são depositadas e depois absorvidas pelos solos.

Carla Candeias salienta que o público-alvo, quer da área que lhe compete como as outras que estão a ser trabalhadas pelos seus companheiros, é a população da ilha do Fogo de modo a tentar aperceber do impacto, sendo que as populações foram escolhidas pela parte nacional que conhecem melhor a ilha.

A investigadora explicou ainda, que o resultado dos estudos vai demorar algum tempo, porque as mesmas têm de ser analisadas em vários pontos do mundo e depois processados e combinados para se tentar aperceber o modelo final para poder ajudar, que é no fundo o que o projecto está a tentar fazer.

“Tudo à nossa volta tem impacto, tudo o que fazemos tem impacto”, advogou Carla Candeias, sublinhando que se uma pessoa vive ao pé de uma indústria tem impacto assim como se viver ao pé de um vulcão.

“O impacto pode ser negativo ou positivo, não tem que ser negativo, pode ser positivo”, afirma a fonte, que indica como exemplo de Chã das Caldeiras, onde as plantas crescem daquela maneira porque o vulcão coloca para fora nutrientes essenciais que fazem com que os solos sejam mais férteis e as plantas crescem de forma muito mais vigorosa.

Segundo Carla Candeias, trata-se de um projecto “grande”, “ambicioso” e que tem apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que o financiou, e várias instituições portuguesas de entre as quais as universidades de Aveiro e da Beira Interior, Laboratório Nacional de Energia e Geologia, assim como as instituições cabo-verdianas.

JR/FP

Inforpress/Fim