Fogo: Equipa da Universidade de Barcelona identifica nova área de nidificação do Pterodroma feae (Gongon)

São Filipe, 28 Fev (Inforpress) – Uma equipa do Departamento de Biologia Animal da Universidade de Barcelona (Espanha) identificou uma nova área de nidificação da população de Pterodroma feae (Gongon) fora da área do Parque Natural do Fogo (PNF).

Em declarações à Inforpress, o professor do Departamento de Biologia Animal da Universidade de Barcelona, Jacob Gonzalez-Solis, que chefia uma equipa que nos últimos 10 dias esteve na área de PNF a monitorar a espécie endémica Pterodroma feae (Gongon), disse que a nova área de nidificação, que não era conhecida, fica perto dos Mosteiros, o que considera ser “muito positivo”. Mas, avançou que há o problema com a protecção dos animais que estão fora do Parque e têm mais pressão da população.

Nesta missão da equipa da Universidade de Barcelona, que nos últimos 10 anos tem estado a estudar esta espécie, avançou a fonte que durante o período de trabalho foram capturados 24 animais, metade dos quais estavam anilhados (recapturados) e a outra metade foram anilhados pela primeira vez.

Jacob Gonzalez-Solis revelou que este ano a equipa vai efectuar uma análise demográfica detalhada baseada nos dados de captura e recaptura de animais realizados nos últimos 10 anos para ter a noção de como a população de Gongon está a evoluir.

Indicou ainda que análises preliminares apontam que a população está a descer e se vier a se confirmar os dados, vai propor à União Internacional para Conservação da Natureza a mudança da categoria de Gongon, passando de quase ameaçado para ameaçado e com isso ter mais ferramentas para ajudar a conservar a espécie.

Os predadores de Gongon continuam a ser o homem e os gatos selvagens, e, conforme explicou o professor, este ano há registo de animais e ovos apanhados por pessoas que conheciam o espaço, mas também foram encontrados cinco gatos selvagens na área de nidificação de Gongon, acrescentando que a situação é “mais complicada” com a nova área de nidificação por estar fora da área do Parque e tem a presença de pessoas.

Na nova área foram encontrados seis ninhos, número considerado elevado, já que em Chã das Caldeiras a média até agora era de seis e sete ninhos e uma estratégia que está sendo utilizada é a não divulgação do local dos ninhos para evitar que as pessoas apanhem o animal e o ovo.

Desde que a equipa da Universidade de Barcelona começou a pesquisa, há 10 anos, cerca de 300 animais foram anilhados, o que não quer dizer que a população é de trezentos animais, explicou, porque neste período há animais que morrem e outros que nascem e neste momento calcula-se que a população de Gongon na ilha do Fogo é de aproximadamente 150.

Jacob Gonzalez-Solis indicou que há um projecto internacional que deve ser implementado nos próximos três anos com apoio da Fundação Mava, uma fundação criada por uma família de um farmacêutico de Suíça, que financia projectos de conservação da natureza, e uma das áreas de preferência é África Ocidental, abrangendo projecto de conservação de aves marinhas em Cabo Verde. 

Segundo o mesmo, no âmbito deste projecto, quer a equipa de Barcelona como de outras instituições, vão garantir os trabalhos de pesquisa nas ilhas e ilhéus de Cabo Verde para protecção das aves marinhas que são desconhecidas, visando conhecer os lugares e as ameaças às aves, algumas das quais são endémicas de Cabo Verde.

Em relação à população de Gongon em Chã das Caldeiras, Jacob Gonzalez-Solis disse que a poluição luminosa está a aumentar com o regresso das pessoas à Caldeira e há que adoptar medidas para não comprometer a população de Gongon.

JR/ZS

Inforpress/Fim