Fogo: Empresa Fogo Coffee Spirit equaciona encerrar algumas unidades e reduzir o seu pessoal – Responsável

São Filipe, 17 Abr (Inforpress) – A empresa Fogo Coffee Spirit, criada em meados de 2011, equaciona encerrar algumas unidades e reduzir o número de trabalhadores devido a alguns constrangimentos, revelou à Inforpress o responsável da Fogo Coffee Spirit, Amarildo Baessa.

A mesma fonte disse que a empresa foi criada com um objectivo bem definido e que passava pelo aumento de produção de café e da sua transformação na óptica do mercado externo sem excluir o mercado interno.  E para atingir a meta definida, sobretudo para o mercado externo, tem um conjunto de regras bem definidas, desde a produção, definida pela qualidade nos vários domínios, passando pelo tipo de processamento, questão de higiene e da natureza da matéria-prima.

Segundo o mesmo, trata-se de um conjunto de exigência que vai desde o campo (produção), processamento da produção até o produto final para exportação, observando que “tudo isso tem um custo fixo e um custo variável” que tem influência na quantidade de produção, observando que quanto mais cerejas/café houver mais viável é a actividade empresarial.

“A empresa foi projectada numa lógica de 300 toneladas de cerejas através de um estudo profundo e bem analisado, mas não é possível só com os produtores locais atingir essa quantia, e como alternativa é a produção pela própria empresa, através de plantação de cafeeiros, para não ficar apenas amarrado a acordos com fornecedores, através da associação”, disse aquele responsável, observando que nos últimos três anos registou-se uma redução grande na produção de café devido à seca.

Para o mesmo, os produtores entendem que quando tem café, há um preço, e quando não tem, o preço é outro, o que não funciona para a empresa, pois o preço do café não funciona nestes moldes, mas através da cotação no mercado internacional, respeitando a cotação do café na Bolsa de Café de Nova Iorque.

A Fogo Coffee Spirit, explica, tem um custo de processamento elevado porque preocupa com a qualidade para competir com produtos de outras paragens, e para evitar que a empresa fique refém dos produtores, em 2014 celebrou uma parceria com o Estado de Cabo Verde, através do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) para cedência de terreno nas ilhas do Fogo e de Santiago para a própria produção. Inclusive a empresa investiu na fixação de 11 mil pés de cafeeiro, na propriedade que foi indicada pelo ministério de que seria disponibilizada porque não tinha nenhum problema de coabitação com outras plantas.

As partes celebraram um memorando de entendimento, na altura, com o compromisso de, posteriormente, fazer levantamento e seguir outros trâmites legais para legalização do terreno e sua cedência à empresa, o que lhe dava um certo conforto, junto das instituições de crédito, parceiros e empresas interessadas em fazer negociação, mas infelizmente o processo arrasta-se desde 2014 e sem previsão para sua conclusão.

No início a empresa tinha subsistido do fundo do Governo Holandês, que já cessou e com o investimento realizado na plantação, a empresa podia recuperar algum dinheiro, e com a fraca produção dos dois últimos anos, e com outras as questões pendentes e por resolver, a nível interno, judicial, mas também a cedência do terreno, que era “a alma da empresa”, restando à mesma duas opções, legalização do terreno ou encerrar algumas unidades e reduzir o pessoal.

“Neste momento não está em causa o encerramento da empresa, mas a redução do pessoal por obrigatoriedade da estrutura que a empresa tem”, disse aquele responsável, indicando que há três anos que a empresa tem uma unidade  de processamento de café em Santiago, num espaço alugado e pertencente à INIDA (MAA), onde foi investido algum dinheiro, tem um viveiro para produção de plantas e já distribuiu cinco mil pés de cafeeiros no quadro do pedido para fazer intervenção nas zonas altas e encostas de Rui Vaz, S. Jorge, o que ainda não aconteceu.

Como a empresa paga renda, investiu mais de mil contos, dispõe de uma máquina que custou 2.700 contos, que está parado, e na ausência da cedência de terreno para plantação, esta unidade vai ser encerrada para evitar a degradação da máquina e minimizar outros custos com renda e pessoal, não obstante a intenção era montar um pequeno laboratório de torra e dar alguma assistência às universidades, alunos, turistas, sobre forma de processar o café.

A nível da ilha a empresa encerrou a unidade de Rocha Fora (Mosteiros), reduziu o pessoal com a cessação do vínculo laboral com um extensionista e um guarda e, se não houver nenhum sinal de melhoria, a Fogo Coffee Spirit acabará por dispensar mais pessoal, pois a “empresa foi projectada para outras dimensões e na esperança que outros projectos de expansão, com a cedência de terreno, seriam resolvidos”.

Este reafirmou que “encerrar está fora de questão até este momento”, porque se era esta a decisão já tinha sido tomada.

JR/ZS

Inforpress/Fim