Financiamento continua como um dos “grandes desafios” das instituições de ensino superior

 

Cidade da Praia, 02 Out (Inforpress) – A promoção da qualidade das ofertas formativas e o financiamento das propinas no ensino superior continuam a ser dos grandes desafios das instituições públicas e privadas em Cabo Verde, que iniciam hoje o ano lectivo 2017/2018.

Nas vésperas do arranque de mais um ano lectivo, a Agência Inforpress quis saber junto das universidades e institutos públicos e privados das perspectivas, constrangimentos e desafios, e constatou unanimidade em como a questão do financiamento é uma preocupação a nível nacional.

O número de candidatura no ensino superior na 1ª e 2ª fase mantêm-se em relação ao ano anterior, segundo informações disponibilizadas pelas universidades e institutos, e a 3ª fase, denominada “extraordinária”, é o período com maior afluência sobretudo para os alunos que concorrem a bolsas e vagas no exterior e que não foram seleccionados.

Para o presidente do Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE), Amadeu Cruz, este ano, a aposta do instituto é a manutenção dos seus cursos de licenciatura, focalizada na qualificação da oferta formativa e na consolidação da qualidade e do rigor dos docentes.

“Nos mestrados há um acompanhamento do mercado, da evolução da economia nacional e consoante detectamos a necessidade de capacitação dos recursos humanos vamos disponibilizando algumas ofertas dentro da nossa área científica”, assegurou, acrescentando que para este ano está prevista a abertura de um doutoramento em Ciências Económicas Empresariais e Turismo, em parceria com a Universidade do Algarve (Portugal).

Segundo Amadeu Cruz, os desafios da instituição passam também por acompanhar as tendências do mercado nacional e ascendência de desenvolvimento do ensino superior, do conhecimento científico e tecnológico que ocorre no mundo de uma forma em geral, mas também na consolidação da imagem de qualidade e de confiança que a instituição transmite aos alunos, tendo sempre em conta as condições de sustentabilidade do instituto.

Por um lado, assinalou, o instituo tem de manter e aumentar o número de alunos e, por outro, melhorar a sua eficiência e eficácia de cobrança de propinas, uma vez que a questão do financiamento é uma “grande preocupação” para as instituições de ensino superior.

Por seu turno, o reitor da Universidade Jean Piaget, Wlodzimierz Jozef Szymaniak, defende que “o mais importante” não é só a quantidade, mais sim a qualidade, já que muitos estudantes entram para as universidades “sem preparação adequada”, com “carência em matemática, língua portuguesa”, mas também em relação aos “hábitos culturais e o grau de insucesso e muito elevado”.

“Este ano, optamos pela consolidação dos cursos de licenciatura, com profissionais integrados no mercado de trabalho, sendo que a nossa oferta educativa e cultural não se limita apenas aos cursos de graduação já que oferecemos também vários outros tipos de formações, projectos de natureza cultural, científica com possibilidades de intercâmbios com instituições internacionais”, sublinhou, indicando que este ano arranca o mestrado de ciências de educação variante administração escolar.

No seu entender a investigação é essencial uma vez que as universidades produzem o conhecimento, o que requer mais meios e financiamento, que no seu entender nos últimos dois anos tem diminuído.

Para a reitora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Judite Nascimento, a aposta da sua instituição recai na consolidação dos cursos já existentes, reajustar as ofertas em função das demandas que são muito fortes e claras, através dos desafios lançados pelo Estado, mas sempre atento aos discursos do sector privado e da sociedade civil no sentido de identificar as áreas que serão a demanda no futuro.

“Este ano lançamos a terceira edição do curso de Medicina que continua a ser o mais procurado, sendo que das 25 vagas disponibilizadas, 20 são destinadas aos estudantes nacionais e cinco para a cooperação internacional da CPLP, mas nunca absorveram na totalidade, o que permite aos alunos cabo-verdianos candidatar-se”, explicou.

Para Judite de Nascimento, o desafio da universidade pública relaciona-se também com o redesenho da estratégia de montagem das suas ofertas formativas, no sentido de torná-las mais ajustadas às saídas profissionais mais apelativas e que tenham uma saída para o emprego.

Outro aspecto que considera importante é a questão do financiamento, que segundo a reitora cada vez deve-se mais às universidades, e, perante esse dilema, tem notado uma “retracção sistemática” do Estado, que tem uma comparticipação de 33% e o restante a instituição tem de procurar, uma vez que “dependem muito das mensalidades” das propinas dos estudantes.

Por seu turno, a coordenadora dos Serviços Académicos da Universidade do Mindelo (Uni-Mindelo), Risanda Soares, partilha da mesma opinião de que o financiamento continua a ser um dos principais constrangimentos das instituições de ensino superior e que a instituição não foge à regra, já que contam essencialmente com as propinas pagas pelos estudantes.

A coordenadora, que se mostrou preocupada, disse esperar que o Governo venha a melhor e aumentar os apoios concedidos em bolsas para licenciatura e não só, sendo que é uma situação a nível nacional e as famílias muitas das vezes não têm condições de enviar os seus filhos para as universidades.

“Temos de continuar a promover a qualidade das nossas ofertas formativas, dando sempre um suporte válido do ponto de vista prático com o engajamento da universidade, e para que os estudantes saiam daqui com todas as competências do ponto de vista profissional, com boa qualidade e capacidade de integração “explicou a responsável, assegurando que a Uni-Mindelo vai começar o ano com dois novos cursos, nomeadamente Jornalismo e Línguas e Relações Empresariais.

Risanda Soares mostrou-se “muito optimista” quanto ao novo ano lectivo, não só pela aposta na continuidade da instituição, mas também pelo novo campo universitário, Bloco C, que será inaugurado a 11 de Outubro, que no seu entender vai ajudar a melhor a qualidade do ensino e poderá servir a comunidade do Mindelo.

AV/AA

Inforpress/Fim