Filomena Carvalho primeira mulher co-piloto em Cabo Verde e na África Ocidental

Cidade da Praia, 11 Mar (Inforpress) – Filomena Carvalho, a primeira mulher co-piloto em Cabo Verde e na África Ocidental, destaca-se hoje como a única mulher comandante de um Boeing, num ambiente maioritariamente masculino, diz-se privilegiada e feliz com a profissão que escolheu.

Por ocasião do Março, Mês da Mulher, a Inforpress” quis ouvir o testemunho de uma voz feminina que comanda aviões há 26 anos, (10 de co-piloto e 16 de comandante) e a única mulher a exercer essa profissão no país entre os 50 pilotos existentes.

A paixão pelas alturas começou na adolescência, aos 12 anos já sabia que queria ser piloto de avião, escolha essa que contou com o apoio do pai que era mecânico de aviões, numa época em que era muito raro ouvir falar e ver mulheres neste tipo de profissão.

Em 1987, Filomena Carvalho foi estudar na escola de aviação civil no Gabão. Dos 40 alunos era a única mulher da escola, que não estava preparada nem tinha condições para receber alunos do sexo feminino ou seja não tinha quartos ou casas de banho para meninas.

Passado dois anos, em 1990 entrou para os Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) como a primeira mulher co-piloto em Cabo Verde e primeira na África Ocidental, designação essa que a faz sentir “basofa”, lisonjeada privilegiada e feliz porque acredita que nasceu para comandar aeronaves.

Filomena Carvalho, conhecida como comandante Carvalho, adiantou que o seu primeiro voo foi “óptimo e tranquilo” uma vez que o comandante era amigo da família, tendo realçado que nos primeiros anos foi muito bem-recebido pelos colegas que na altura chamavam-lhe de “mascote”.

Com o passar dos anos Filomena Carvalho começou a ter problemas e desavenças com alguns colegas deste meio, porque não a aceitavam como co-piloto, comandante,e ver uma mulher a subir num meio dominado praticamente por homens, constrangimentos esses que a deixaram aborrecida e muitas noites sem dormir, mas que foram ultrapassados graças ao seu profissionalismo e responsabilidade.

Sendo a única mulher a exercer, actualmente, em Cabo Verde, já que houve mais quatro anteriormente, Carvalho diz que adora a profissão, mas afirma que é “duro e difícil” ser comandante do ATR e co-piloto do Boeing nos TACV uma vez que “essa sociedade é muito machista”.

Filomena Carvalho que se caracteriza como uma pessoa amiga, extrovertida, exigente, comunicativa e mulher de fibra, reconhece que ser piloto é um sonho realizado porque teve o privilégio de concretizar, e assegurou que quando está fardado não passa despercebida, ou seja, desperta a atenção.

“Em 1998 fui mãe de um rapaz, numa altura que já era comandante e fazia voos praticamente todos os dias. Foi uma época muito difícil porque tive de deixar o meu filho para trabalhar e não pude acompanhar os momentos mais importantes e marcantes das nossas vidas como a primeira palavra, o primeiro passo, não estive presente no aniversário, no Natal e no dia do seu batizado tive de deixa-lo para trabalhar”, revelou.

Segundo a comandante, ficar longe do filho foi um dos momentos mais difícil desta profissão, que agora tenta estar mais tempo junto dele e aproveitar todos os momentos já que hoje em dia tem mais tempo de folga, sublinhando que ser mãe e piloto ao mesmo tempo é difícil e duro.

Comandante Carvalho, que se diz orgulhosa da profissão que exerce e realizada, reconhece que as mulheres já deram provas que são capazes de fazer tudo de muito mais, e, em certos casos, até melhor do que os homens porque além de serem trabalhadoras são mães, esposas e donas de casa, “características que tornam a mulher cada vez mais forte”.

Para finalizar, disse esperar que daqui a uns anos possa ver mais mulheres neste sector, sendo que tem dado conselho e incentivado algumas jovens que queiram seguir este caminho.

AV/CP

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