FAC e Uni-CV querem estimular conhecimento e reflexão dos jovens sobre o percurso e papel de Nelson Mandela na luta pela libertação da África

Cidade da Praia, 06 Dez (Inforpress) – A FAC e a Uni-Cv promoveram hoje uma conversa aberta sobre o legado de Nelson Mandela, visando estimular o conhecimento e a reflexão dos jovens sobre o seu percurso e papel desempenhado na luta pela libertação da África.

Em declarações à imprensa, à margem do evento, realizado no Campus da Universidade de Cabo Verde, na Cidade da Praia, o presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC), Pedro Pires, disse que a iniciativa visa prestar uma singela homenagem a este ilustre africano, cujo percurso de luta e resistência pela dignidade dos povos africanos sintetiza na plenitude, a nobreza do ser humano.

Tem ainda a finalidade, de acordo com o presidente da FAC, de estimular o conhecimento e a reflexão sobre os seus ideais e inspirar a nova geração de líderes nos seus esforços para a construção de um futuro de paz e prosperidade para o continente africano.

“A juventude é que representa o futuro, dirigimo-nos a ela para que valorize e procure conhecer o percurso de Nelson Mandela, que é extraordinário, porque para uma pessoa que passa 27 anos na cadeia no regime de quase trabalho forçado e que depois é eleito presidente da república do seu país, é sinal de convicção, persistência e confiança”, sublinhou.

Na sua opinião, é fundamental que as novas gerações de africanos “tenham em mente, tenham presente” o papel desempenhado para a libertação de África de uma pessoa, de um homem como Nelson Mandela, que considerou como um dos “símbolos maiores da luta de libertação do povo sul africano”.

“Não há povo, não há história sem referência. Nelson Mandela é uma dessas referências incontornáveis dos povos africanos. Cabe-nos elevar esse papel e valorizar aquilo que é nosso e aqueles que deram tudo para que África mudasse e fosse mais livre”, disse.

Nelson Mandela, para Pedro Pires, está entre os maiores e sua memória merece ser lembrado e conhecido porque, ajuntou, o importante é que todo esse sacrifício e humilhação não fizeram com que Mandela fosse uma personalidade rancorosa, mas sim um humanista e compreensível para aqueles que o perseguiram.

Para a reitora da Universidade de Cabo Verde, Judite Nascimento, Nelson Mandela é uma das grandes referências internacionais que, na sua opinião, serve de modelo para as gerações vindouras e conseguiu criar um novo paradigma no mundo.

A Universidade de Cabo Verde, de acordo com esta responsável , pretende realizar estudos e divulgar as obras das grandes personalidades internacionais, tentando nessa perspectiva, argumentou, compreender as suas ideologias e o impacto dos seus contributos para a humanidade.

“Nelson Mandela deixou lições para todas as lideranças mundiais, influenciou o mundo inteiro e nós fazemos questão de valorizar essa memória e as homenagens que são feitas pelos países em que nunca esteve são fundamentadas pelos ideais que defendeu na sua vida política e pessoal”, concluiu.

A conversa aberta, que é realizada sob o lema “O Legado de Nelson Mandela, a Juventude Africana e o Futuro do Continente”, acontece no âmbito das comemorações do Centenário de Nelson Mandela, assinalado no passado dia 18 de Julho.

Nelson Mandela foi considerado um dos maiores heróis da luta dos negros pela igualdade de direitos no país e foi um dos principais responsáveis pelo fim do regime racista do apartheid, vigente entre 1948 e 1993.

Mandela permaneceu preso de 1964 a 1990. Nestes 26 anos, tornou-se o símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul. Mesmo na prisão, conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta pelo fim da segregação racial no país.

Em 1993, Nelson Mandela e o presidente Frederik de Klerk dividiram o Prémio Nobel da Paz, pelos esforços em acabar com a segregação racial na África do Sul.

Em 1994, Mandela tornou-se o primeiro Presidente negro da África do Sul. Governou o país até 1999, sendo responsável pelo fim do regime segregacionista no país e também pela reconciliação de grupos internos.

Com o fim do mandato de Presidente, Mandela afastou-se da política dedicando-se a causas de várias organizações sociais em prol dos direitos humanos. Já recebeu diversas homenagens e congratulações internacionais pelo reconhecimento de sua vida de luta pelos direitos sociais.

Morreu no dia 5 de Dezembro de 2013, aos 95 anos.

CM/JMV
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