Ex-primeiro-ministro acha que ainda “anda por aí uma grande confusão” à volta da isenção dos vistos

 

Cidade da Praia, 08 Mai (Inforpress) – O ex-primeiro-ministro, José Maria Neves, volta a falar da questão de isenção de vistos de entrada em Cabo Verde aos cidadãos da União Europeia e do Reino Unido, alegando que “anda por aí uma grande confusão”.

Segundo o antigo chefe do Governo, numa mensagem inserida, este domingo, 07, na sua conta pessoal do Facebbok, o seu sucessor, Ulisses Correia e Silva, “recusa-se a explicar a sua posição” em relação à isenção dos vistos, questão que tem dividido a opinião pública cabo-verdiana.

“O senhor primeiro-ministro recusa-se a explicar a sua posição, se serão todos os países membros ou apenas os do espaço Schengen, e, mesmo neste caso, há países que não são da UE -, e da Inglaterra, que está de saída”, escreve José Maria Neves, a propósito dos vistos em apreço.

Referindo-se à entrevista que Ulisses Correia e Silva concedeu ao jornal português Expresso, Neves disse que os argumentos do primeiro-ministro, nomeadamente a securização das fronteiras nacionais e documentação, “já estavam em curso, no quadro da Parceria para a Mobilidade”.

“O projeto SNIAC – Passaporte Biométrico, Cartão de Identificação do Cidadão, Cartão de Identificação de Estrangeiros Residentes, Voto Electrónico -, a criação da Comissão de Proteção de Dados e dos Serviços de Informações da República estão integrados neste processo, para além de um conjunto de acordos com Espanha, Portugal, França, Grã Bretanha…, no domínio da segurança cooperativa”, explicou José Maria Neves, acrescentando que tudo isto aconteceu “sem isenção unilateral de vistos”.

Lembrou ainda que no âmbito da Parceria para a Mobilidade, Cabo Verde “já tinha conseguido a facilitação de vistos para os empresários, escritores, artistas, etc”.

Neves continua a achar “absurda” a decisão do Governo de Ulisses Correia e Silva de isentar de vistos os cidadãos da União Europeia.

“As duas questões mais sensíveis no início dos debates sobre a Parceria Especial eram, e são ainda hoje, a livre circulação e o acesso ao Fundo de Desenvolvimento Regional (FEDER),  conta o ex-chefe do Governo, que diz lembrar-se das conversas com Durão Barroso, Jean Claude Juncker e José Luis Zapatero que lhe sugeriram a não se referir à livre circulação e ao FEDER, “porque suscitaria reações epidérmicas de alguns países membros (da União Europeia) contra a Parceria”.

Para Neves, o importante era “colocar o pé na porta” e ir tendo ganhos sucessivos, num processo gradual, com inteligência, discrição e capacidade de inovar.

Segundo ele, tratando-se de uma parceria, teria de haver “ganhos mútuos, consensualizados entre as partes” e daí os encontros de concertação ao “mais alto nível”.

“Juncker era aquele que mais insistia nessa ideia de relações entre parceiros. E a Parceria Especial veio colocar as nossas relações num outro patamar, não de subordinação, mas de uma cooperação baseada na igualdade e reciprocidade de vantagens”, disse José Maria Neves que foi primeiro-ministro de Cabo Verde durante 15 anos.

LC/FP

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