Estudos demonstram que as condições naturais de Cabo Verde vão agravar-se com as mudanças climáticas – ministro

Cidade da Praia, 04 Abr (Inforpress)- O ministro da Agricultura e Ambiente afirmou hoje que Cabo Verde, como um país insular e de clima tropical seco, apresenta condições naturais bastante vulneráveis e os estudos demonstram que estas vulnerabilidades vão agravar-se com as mudanças climáticas.

Gilberto Silva fez esta declaração, à margem do ateliê de validação da terceira comunicação nacional sobre as Mudanças Climáticas, que decorre na Cidade da Praia.

O país ratificou em 29 de Março de 1995 a Convecção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas e desde então assumiu o compromisso de desenvolver esta comunicação, um documento que informa as circunstâncias nacionais em que o país evoluiu em termos de acção concreta no contexto das mudanças climáticas.

Com as condições a agravar-se, devido às condições de insularidade, o país, segundo o ministro da Agricultura e Ambiente, vai ter que enfrentar uma maior aridez, a degradação dos ecossistemas, sobretudo nas zonas costeiras, para além da questão da intrusão salina.

Por isso, o governante sublinhou que tudo isto vai contribuir para alterar os sistemas de produção do país, destacando que esta situação demanda dos cabo-verdianos, do Governo e dos parceiros uma estratégia para fazer face a essas mudanças no país e, ainda, encontrar mecanismos de contribuir, no contexto global, para a redução das emissões e para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

A grande aposta do país, indicou, é na continuação da arborização, na reciclagem, nas energias renováveis, em que, para além da problemática da produção das energias alternativas para o consumo, é necessário apostar, “fortemente”, na problemática da mobilidade, com a introdução dos carros electrónicos.

A aposta deve inserir-se, ainda segundo o ministro, numa melhor gestão da orla costeira e dos recursos hídricos.

Para a representante adjunta do Fundo das Nações Unidas em Cabo Verde, Ilaria Carnevali, sendo que esta terceira comunicação prevê a redução da precipitação anual no horizonte temporal 2020-2039, culminando com o aumento de temperatura em 2.5 graus, estas condições vão afectar a segurança alimentar, a economia do país e a agricultura de sequeiro.

Por sua vez, o director Nacional do Ambiente, Alexandre Rodrigues, explicou que este documento relata em que circunstâncias o país está a ter as emissões que está a apresentar neste momento, abordando os sectores da educação, saúde, transporte, indústria, electrificação e ocupação das orlas costeiras.

O mesmo documento faz a contextualização geografia e contextualização da temperatura e da precipitação, dos inventários dos efeitos dos gases de estufa, a capacidade de reduzir as emissões de GEE, a vulnerabilidade, a adaptação e impactos face às mudanças climáticas e a adaptação às mudanças.

Comparativamente ao segundo comunicado (2010), Alexandre Rodrigues disse que o país registou uma redução da emissão dos efeitos de gases de estufa, enquanto a nível global houve um aumento, devido ao incremento da população, cobertura de electrificação mais abrangente, para além da evolução sector do transporte.

Cabo Verde, com o financiamento do Fundo Global para o Ambiente /Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, apresentou a primeira comunicação em 1999, e 11 anos depois apresentou a segunda e deverá em breve apresentar a terceira comunicação.

AM/JMV

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