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Estado da Nação:  Oposição questiona Governo sobre venda dos 51 por cento da TACV, crescimento do país e mau ano agrícola

Cidade da Praia, 27 Jul (Inforpress) – O PAICV e a UCID (oposição) questionaram hoje o Governo sobre os sectores da governação, colocando tónica na venda dos 51 por centro das acções da TACV, no programa para o mau ano agrícola e no crescimento do país.

Ao falar no debate sobre o Estado da Nação o deputado José Gomes Veiga do PAICV afirmou que depois de consumir três orçamentos sem impactos e melhorias das famílias e sem apresentar as soluções prometidas, mostra-se que os cabo-verdianos “compraram gato por lebre” ao invés das soluções prometidas pelo primeiro-ministro.

O político do PAICV lembrou que na década de 90 quando Ulisses Correia e Silva era ministro das Finanças o país “foi à banca rota”, o Governo vendeu empresas públicas, funcionários ficaram sem receber os salários e os estudantes sem bolsas.

“É preocupante porque voltaram para a vender outra vez em negócios, sem transparência, sem proteger o interesse e sem prestar informações aos cabo-verdianos, de forma clandestina, sem documentos, sem contrato e sem enquadramento legal”, disse exemplificando com o negócio com a Binter e dos TACV em que “cada militante do MpD quer a sua parte”.

Entretanto, para Austelino Correia, do MpD (maioria) os cabo-verdianos não compraram gato por lebre, mas fizeram sim uma boa escolha porque o partido liderado por Ulisses Correia e Silva está a governar Cabo Verde bem e com resultados palpáveis.

“Os cabo-verdianos são lúcidos e num ano de seca tiram o chapéu a um Governo que conseguiu manter o país na normalidade e equilibrado”, asseverou considerando que por causa disso deveriam iniciar o debate sobre estado da Nação com uma homenagem ao Governo e ao primeiro-ministro.

Afinando pelo mesmo diapasão, o ministro da Agricultura, Gilberto Silva lembrou que muito cedo Cabo Verde declarou a seca, fez o planeamento, mobilizou os recursos, fez parcerias internas e mobilizou todo o país, as empresas, as ONGs, as câmaras municipais e as instituições de microcrédito e “juntos com a nação salvaram o gado”, enfatizou.

O deputado Júlio Correia, do PAICV, também questionou sobre o valor financeiro dos 51 por cento da alienação da TACV e quis saber ainda como é que o Governo vai alienar os 49 por cento restantes.

Júlio Correia perguntou ainda sobre os voos internos e regionais.

Em relação ao crescimento económico do país, quis saber se “o Governo abandonou a meta de sete por cento”, tendo em conta que o Grupo de Apoio Orçamental (GAO) afirma que “este ano terá um arrefecimento”.

Por seu turno, o líder da UCID, António Monteiro focou a sua intervenção na questão da criação do emprego, questionado sobre os números de empregos.

“Em 2016 o número de empregados era de 209 mil novecentos e vinte e cinco, em 2017 o número de empregados é 203 mil setecentos e setenta e cinco. Como é que o emprego aumentou?”.

Reagindo a esse questionamento, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, disse que há uma equipa de avaliação técnica a analisar a proposta da venda dos 51 por cento da TACV e dar um parecer ao Governo.

“Está em curso e não posso adiantar mais elementos. Os 49 por cento vão ser alienados a empresas cabo-verdianas ligadas ao sector de viagens e turismo, colocados à disposição de emigrantes e de trabalhadores”, esclareceu insurgindo-se contra “as insinuações de que estão a fazer um complô para colocar a TACV no caos e vendê-lo a preço de banana”.

Ulisses Correia e Silva garantiu que a Binter está na fase de certificação de aviões e quer operar para a Guiné Bissau e Senegal que são também mercados que interessam a TACV internacional.

No fim, sustentou também que o Governo não abandonou a meta de crescimento dos sete por cento e realçou que “se não fosse a quebra da produção agrícola estaríamos muito perto de consegui-la”, garantindo que a tendência de crescimento para 2018 é positiva.

CD/FP

Inforpress/Fim