Estado da Nação: Extractores de Calhau pedem “medidas imediatas” e ameaçam retomar extracções dentro de um mês

Mindelo, 25 Jul (Inforpress) – O porta-voz dos extractores de inertes da zona de Calhau, Carlos Apolinário, pediu, hoje, que o Governo tome “medidas imediatas” para melhorar as suas vidas, sob pena de retomarem as extracções dentro de um mês.

Segundo Carlos Apolinário, que também é mais conhecido por “batata”, desde que o antigo Governo decretou, em Novembro de 2014, o encerramento da pedreira e implementou a lei de extracção de inertes, os 29 extractores no Calhau, na ilha de São Vicente, viram as suas vidas “totalmente viradas do avesso”.

“Vivemos agora com a cara pendurada, com uma mão na frente e outra atrás. E dia a dia as coisas estão complicando porque já nem temos como pagar as nossas contas”, adiantou este extractor, para quem neste momento “não é fácil” viver no Calhau, o que contraria com a “felicidade” que tinham antes.

Manifestando uma “profunda frustração e mágoa”, Carlos Apolinário, que falava à Inforpress a propósito do debate sobre o Estado da Nação, agendado para sexta-feira, afirmou que se não houver uma solução “em breve” vão voltar à extracção, existente “desde 1979 e que tem dado sustento a várias gerações de famílias na comunidade”.

“O Governo deve abrir os olhos e olhar para a zona de Calhau, uma comunidade que nem Governo tem preocupado e nem a Câmara de São Vicente tem dado um dia de trabalho aos moradores”, alertou o porta-voz dos extractores.

Ainda estão dispostos, ajuntou, a sentarem-se à mesa e “negociar” com as autoridades, a quem dão um mês para tomarem uma “resolução definitiva”. “Podem crer que se isso não acontecer, no dia 26 de Agosto, vamos voltar à extracção”, ameaçou Carlos Apolinário, adiantando que não vão deixar serem “enganados mais uma vez”.

Isto porque, segundo a mesma fonte, foram “completamente enganados” pelo Governo anterior e pela antiga Delegação do Ministério de Desenvolvimento Rural em São Vicente que só cumpriram com os trabalhos de recuperação paisagística da pedreira, feita por 20 destes extractores, durante alguns meses, entre 2015 e 2016.

Entretanto, ficaram, acrescentou, a “ver navios” quanto à promessa de reencaminhamento profissional, para substituir as suas profissões de extractores, que lhes permitia ter um ganho diário de 2.500 escudos e “sem depender da câmara e nem do Governo”.

“Confiamos neles, por tudo o que nos prometeram, mas aproveitam da nossa ingenuidade para nos ludibriar”, salientou Carlos Apolinário para quem até agora estão à espera da prometida “nova forma de sustento” para as suas famílias, e que, ao contrário, estão neste momento “a passar fome”.

Por isso, assinalou, querem as suas vidas de volta e com a “maior dignidade possível”, sem ter que “recorrer ao Tupi, onde agora seis homens estão trabalhando numa área ingreme e cheia de perigos”.

“Fomos impedidos de trabalhar na altura por uma bateria de polícias, e agora é essa mesma bateria que vai ter que nos tirar de lá, porque não estamos nem a matar, nem a roubar”, concretizou Carlos Apolinário que diz quererem “apenas buscar o pão para as suas famílias”.

LN/ZS

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